Cidades

Julgamento

Acusado de obrigar jovens a pular de trem nega ter ameaçado vítimas

Acusado de obrigar jovens a pular de trem nega ter ameaçado vítimas

Redação

20/05/2011 - 16h25
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O homem acusado de obrigar dois jovens a pular de um trem em Mogi das Cruzes (Grande São Paulo), em 2003, disse nesta sexta-feira nunca ter ameaçado as vítimas.

Durante seu julgamento, nesta tarde, ele disse que apenas olhou e comentou o estilo de cabelo dos rapaz antes deles pularem do veículo.

Juliano Aparecido de Freitas foi a quarta pessoa a ser ouvida no julgamento, que acontece na mesma cidade em que ocorreu o crime. Ele disse que não conhecia as vítimas e que elas saíram correndo após ele comentar com outros dois amigos sobre o estilo deles.

O réu disse ainda que caminhou atrás das vítimas, mas apenas porque não tinha entendido a reação delas, que acabaram pulando do trem. Juliano ainda ressaltou que foi embora para casa sem saber que os jovens tinham morrido. Ele soube apenas no dia seguinte enquanto via televisão.

Os outros dois homens que estavam com Juliano também são acusados pelo crime. Os julgamentos de Vinícius Parizatto e Danilo Gimenez Ramos ainda não têm data para acontecer.

Após saltarem do trem, Cleiton da Silva Leite morreu e Flávio Cordeiro perdeu um braço. Cordeiro foi o primeiro a ser ouvido durante o julgamento.

Durante o depoimento do réu, o promotor Marcelo Alexandre de Oliveira questionou ainda se Juliano possuía armas como punhal, soco inglês e um outro objeto de madeira com uma corrente e uma bola de metal.

O rapaz confirmou que colecionava armas medievais, mas disse que não portava nenhuma delas no dia em que os jovens pularam do trem.

A afirmação contrariou o depoimento de uma testemunha que disse ter visto um objeto de madeira com ponta de metal na mãe de um dos réus quando eles seguiam as vítimas no trem.

Ao todo, estavam programados para depor nesta sexta-feira dez testemunhas. Duas delas entretanto foram dispensadas pela defesa. O juiz Alberto Alonso Muñoz afirmou que o julgamento pode se estender até a madrugada.

Martírio

A mãe do jovem de Cleiton da Silva Leite afirmou nesta sexta-feira que sua vida virou um martírio após o crime. "Hoje é um primeiro passo. Minha vida virou um martírio após a morte do meu filho. Estou vivendo a base de remédios desde então. Agora espero que os outros dois acusados sejam julgados em breve", afirmou Olivina Rosa da Silva Leita, 66, antes do julgamento.

Também antes do julgamento, Flávio, a segunda vítima, que perdeu um braço, afirmou que sua vida mudou bastante após o crime. "Foi muito difícil. Minha vida mudou muito, mas graças a Deus consegui arrumar um emprego", disse o rapaz, que hoje trabalha em uma indústria química. Ele tinha 16 anos na época do crime.

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