Revoltados com dos freqüentes atropelamentos de membros da comunidade, indígenas guarani-kaiowá da Aldeia Taquapery bloquearam o trecho da Rodovia MS-289, que liga Coronel Sapucaia a Amambai, no trecho que corta a reserva indígena na manhã desse domingo (19) e só liberaram a passagem após a chegada da imprensa.
O bloqueio do trânsito na rodovia começou no início da manhã, depois de o indígena Jonildo Martins, de 18 anos e já pai de uma criança de 2 anos, ter o corpo dilacerado ao ser atropelado por um veículo na madrugada desse domingo. O carro fugiu do local sem ser identificado.
“Esse foi o terceiro atropelamento de pessoas dentro dos limites da reserva em menos de 20 dias, dois deles com morte”, disse o “capitão” da aldeia, Jonas Batista ao informar que a decisão de bloquear o trânsito na rodovia nesse domingo não partiu das lideranças da reserva indígena, mas sim de toda a comunidade, que, segundo ele, já está cansada de velar parentes e amigos por conta dos atropelamentos ocorridos sem que as autoridades competentes adotem medidas eficazes para garantir a segurança da população indígena no local.
Após a presença de nossa equipe de reportagem, em diálogo com as lideranças, a Polícia Militar Rodoviária Estadual (PRE) e policiais civis da Delegacia de Coronel Sapucaia, conseguiram a liberação do trânsito na rodovia em meia pista e a liberação, por parte dos indígenas, do corpo do índio morto para ser removido da pista da rodovia e ser encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) de Ponta Porã para a realização do exame necroscópico.
Índios vão velar morto na pista
Segundo as lideranças da Aldeia Taquapery, como forma de protesto e visando chamar a atenção das autoridades para o problema, que segundo o capitão da reserva, Jonas Batista, vem ceifando a vida de vários guarani-kaiowá anualmente, após o corpo de Jonildo retornar do IML e ser entregue para a família, fator que deve acontecer na tarde desse domingo, os familiares e a comunidade vão velar o rapaz sobre a pista de rolamento da rodovia, fato esse que poderá voltar a provocar o fechamento do trânsito no local.
Reivindicações
Entre as várias reivindicações apresentadas pelas lideranças indígenas para garantir maior segurança para a comunidade que tem na rodovia estadual seu principal meio para se deslocar, são as implantações de mais redutores de velocidade tipo “quebra-molas”, melhoria na fiscalização e sinalização da via e até mesmo a implantação de lombadas eletrônicas para controlar a velocidade dos veículos.
De acordo com os indígenas os quatro quebra-molas existentes atualmente no trecho de aproximadamente três quilômetros da MS-289 que corta a Aldeia Taquapery são ineficazes para prevenir os atropelamentos.
Veículos com placas paraguaia abusam
Para o capitão da reserva indígena, Jonas Batista, veículos com placas paraguaias que transitam com freqüência pelas rodovias brasileiras na região de fronteira são os que mais abusam da velocidade.
“Eles não respeitam ninguém, atravessam a aldeia em alta velocidade e não estão nem aí se vão atropelar ou matar alguém”, relata o líder indígena ao desabafar dizendo que indígenas são cidadãos brasileiros como qualquer outro, pagam impostos e votam como todas as demais pessoas, portanto tem que ter seus direitos respeitados pelas autoridades competentes.