Oito anos e seis meses. Esta é a pena do ex-procurador Carlos Alberto Zeolla, que foi condenado em julgamento hoje por ter assassinado o sobrinho Cláudio Alexander Joaquim Zeolla, em 2009. O crime foi motivado por uma agressão feita pela vítima ao pai do ex-procurador Américo Zeolla durante uma discussão. A pena total foi de oito anos de reclusão por homicídio e seis meses por entregar veículo a pessoa não habilitada.
Ao saber da agressão, o procurador saiu de casa à noite a procura o sobrinho, no entanto, não o encontrou e na manhã seguinte armou uma emboscada na Rua Bahia. Cláudio foi morto com um tiro na nuca, enquanto seguia de bicicleta para uma academia de ginástica. O júri aconteceu na 1ª Vara do Tribunal do Júri de Campo Grande, foi conduzido pelo juiz Alexandre Tsuyoshito Ito.
Durante a sessão 10 testemunhas, sendo cinco de acusação e cinco de defesa, foram ouvidas em plenário. Só então o réu foi interrogado. Zeolla foi condenado por homicídio doloso – com intenção de matar –, qualificado por motivo torpe e utilização de recurso que impossibilitou a defesa da vítima, além de entregar veículo automotor a pessoa não habilitada, já que no momento do crime seu veículo era conduzido por um adolescente, que o ajudou na fuga após o assassinato.
Acusação
Natália Pereira dos Santos, ex-mulher da vítima, foi a primeira testemunha de acusação a prestar depoimento em plenário. Ela disse que conviveu com Cláudio durante três anos, mas o casal estava separado há dois meses em razão de uma briga, no entanto, já havia iniciado processo de reconciliação.
Questionada pelo promotor de Justiça Fernando Zaupa, a mulher explicou que a vítima contou por telefone sobre o desentendimento que teve com o avô, com quem estava morando desde a separação. “O Cláudio disse que a empregada estava descongelando a geladeira com o ventilador dele, ele não gostou e reclamou. O avô brigou com ele, falou um monte de coisa e deu um tapa no rosto dele. Ele empurrou e o avô caiu no chão”, relatou Natália, explicando ainda que a vítima falou da sua intenção de ir embora para Brasília porque toda sua família estava contra ele em razão do episódio.
De acordo com o advogado de defesa, Ricardo Trad, o empurrão causou lesões em Américo Zeolla, que teve também alta de pressão arterial e precisou ser levado para o Proncor, onde recebeu atendimento médico.