Uma jovem de 22 anos foi esfaqueada na segunda-feira à tarde (27) pelo companheiro adolescente, de 17 anos, no Jardim Centenário, em Campo Grande.
Ela foi esfaqueada com um facão e uma faca pelo garoto no rosto, tórax e abdome, porque ele não aceitava o fim do relacionamento.
Segundo a polícia civil, ela foi socorrida em estado grave, levada para a Santa Casa e passou por cirurgias por causa dos ferimentos. Ela está em recuperação na enfermaria. O caso será investigado pela 5ª Delegacia de Polícia da Capital.
Antecedentes
A jovem já tinha registrado uma ocorrência contra o adolescente no dia 19 de dezembro do ano passado por vias de fato.
Ele teria brigado com ela, que na época já tentava terminar o relacionamento. Furioso, ele esganou a mulher e só parou quando ela disse que estava grávida de cinco meses.
Procurar ajuda
A delegada Lúcia Falcão, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), disse que, nesses casos, é importante a mulher procurar ajuda.
"Qualquer tipo de crime - ameaça, vias de fato, violência doméstica - deve ser registrado em boletim de ocorrência na delegacia pela mulher que sofre violência", diz a delegada.
Ela ressalta que mais importante que registrar é fazer o acompanhamento do caso junto ao poder judiciário. "Não adianta registrar o boletim e não acompanhar, é preciso colaborar no andamento do caso, ir fazer o exame de corpo de delito no Instituto Médico Odontológico (Imol) quando solicitado", esclarece.
Medidas protetivas
Segundo a delegada, existem medidas protetivas contra os companheiros mais violentos. "Se a mulher não consegue se livrar do relacionamento porque o marido a ameaça, é preciso registrar a ameaça e solicitar na delegacia uma medida protetiva". Ela esclarece que na própria delegacia da mulher a vítima pode solicitar essas medidas, que vão do afastamento do autor do lar conjugal até a proibição de aproximação e de contato do agressor com a vítima.
Ao contrário do que pode parecer, as medidas são fáceis de se solicitar. "A mulher vem até a delegacia e solicita. Ela assina um formulário e a delegacia é responsável por encaminhá-lo ao poder judiciário em até 48 horas. O juiz também tem 48 horas para decidir sobre a medida. Então, o oficial de justiça leva até o autor e comunica a decisão. Se ele descumprir cometerá crime por desobediência", explica Lúcia Falcão.
Ajuda financeira
Muitas mulheres decidem não dar andamento ao processo por causa da dependência financeira do companheiro. "Nesses casos, existe o Centro de Atendimento à Mulher, a Casa Abrigo, que encaminha a vítima para o mercado de trabalho e dá suporte psicológico para que ela enfrente a situação, que é bastante delicada", diz.
Ela lembra que após registrar a ocorrência, o homem parece mais dócil. "Ele começa a dar presentes, pedir desculpas e dizer que tudo vai mudar. Depois, ele volta a ser agressivo. Depende da mulher decidir se confia nele ou se muda de vida", completa a delegada.