A rede de saúde pública de Mato Grosso do Sul notificou 3.429 casos de distúrbios provocados pelo consumo abusivo de álcool com 10 mortes em 2010, segundo a secretária de Saúde do Estado, Beatriz Dobashi.
Ela abriu os paineis de debates da Conferência Estadual promovida pela Comissão Especial de Bebidas Alcoólicas da Câmara Federal, ontem (30), no Plenário da Assembleia Legislativa.
Essa estatística, no entanto, segundo a secretária, pode não refletir a realidade, pois muitos casos são ‘mascarados’ e a notificação de óbitos, às vezes, aponta causas decorrentes do consumo do alcool.
Em relação a 2009, os casos de 2010 representaram aumento de 970 pacientes que passaram por um dos centros de apoio na Capital, segundo Maria Beatriz Almeidinha Maia, Gerente do CAPS – AD (Centro de Apoio Psicossocial de Campo Grande), a segunda palestrante da Conferência.
Para o médico Fábio Augusto Moron de Andrade, voluntário da Fazenda Esperança, as drogas lícitas – álcool e tabaco – são a porta de entrada para as drogas ilícitas.
De acordo com Maria Beatriz Almeidinha Maia, os dependentes podem procurar os CAPS-AD sem necessidade de encaminhamento. “Depois de acolhidos, havendo necessidade, os pacientes são encaminhados ao Hospital Regional de Campo Grande, Nosso Lar e Comunidade Terapeutica".
Segundo ela, em Campo Grande há Centros de Apoio para casos iniciais (localizado na Rua Joaquim Murtinho), para casos de transtornos mentais severos (Vila Margarida e Vila Planalto), para atendimento a crianças e adolescentes, um ambulatório psiquiátrico e um centro para atenção pós trauma.
Números
De acordo com a secretária de Saúde, Beatriz Dobashi, os casos de alcoolismo são mais sérios do que aparentam, pelo fato de as internações e óbitos não demonstram a causa real e a contribuição negativa do álcool, sendo comum nos prontuários serem registradas apenas as consequências, ignorando as causas de doenças como transtorno mental e doença hepática.
Dobashi apresentou estatísticas mostrando que no ano passado houve 266 casos de abstinência, 355 intoxicações, 120 transtornos psicóticos, 93 transtornos tardios, 47 síndromes de abstinência com transtornos mentais, 27 casos não especificados, 18 por uso de substância nociva, 15 com síndrome de amnésia, entre outros casos.
Esses dados, contudo, escondem a verdadeira estatística porque historicamente muitos casos não chegam à rede pública.