A Polícia Civil de Corumbá investiga uma quadrilha especializada em furto de gado em fazendas do Pantanal, conhecida como abigeato, a quadrilha há cerca de 5 anos na região.
Apenas uma vítima teve cerca de 2 mil cabeças de gado furtadas num período de três a cinco anos. Responsável pelas investigações, o delegado de Polícia Civil, Enilton Zalla, disse que já identificou os principais autores desse tipo de crime. Eles estariam escondidos no meio do Pantanal, nas Colônias São Domingos e Cedro. O crime era extremante lucrativo para o bando. "É uma rede sim, mas eles procuram mascarar o crime criando notas fiscais, que é outro crime", afirmou Zalla.
"Na semana passada, recebemos uma vítima, que nos contou que uma quadrilha havia ingressado na fazenda dela, subtraído diversas cabeças de gado e que este grupo estaria armado. Ele nos forneceu avião e fomos até o local. Tomamos conhecimento de quem eram os indivíduos e que estavam trabalhando numa fazenda que fica cerca de uma hora e meia a cavalo do local. Fomos lá, reuni todos, entrevistei um por um e observei que tinha um conjunto de 20 reses, prontas para a venda. Comecei a observar contradições e percebemos que o grupo tinha praticado sim o roubo na fazenda”, contou o delegado ao revelar a ação que durou pouco mais de quatro horas.
Eles podem pegar até 8 anos de prisão, se condenados judicialmente. O trio acusado acabou sendo liberado posteriormente por atender uma série de requisitos previstos em lei.
Como Agiam
Segundo o delegado, eles pegam um boi manso (Sinuelo), levam um garrote que não tem divisas na orelha. Levavam para a fazenda deles e remarcavam o gado, cortavam a orelha e modificavam a marca.
O bando se alojava em fazendas próximas das vítimas e depois descia com o gado até o porto, onde as cabeças de gado eram embarcadas para comercialização em Corumbá. A polícia já identificou uma dessas embarcações utilizada pelos criminosos.
A polícia espera descobrir quem está comprando tanto gado, “É uma ação grande e complexa, mas estamos trabalhando para esclarecer e punir os autores”, conta o delegado.
O roubo de gado tem a finalidade única de revenda e o negócio é lucrativo. "Só de uma área, eles levaram 70 reses e isso significa 70 mil reais. Às vezes eu não tenho, aqui na delegacia, furtos, no somatório do mês, com esse montante", complementou o delegado. "Um dos autores disse que recebia 100 reais para trazer uma rês", observou.
A Polícia Civil trabalha um projeto que pode facilitar o acesso às regiões do Pantanal. A ideia é conseguir com a Justiça - através de perdimento - um avião e buscar parceria com Sindicato Rural de Corumbá para que os fazendeiros, conjuntamente, colaborem com o custeio operacional da aeronave. "Assim teremos a logística para deslocamento. Em quatro horas fomos ao local; desmantelamos a quadrilha e recuperamos um garrote, pode ser pouco, mas desmantelamos uma quadrilha", finalizou o delegado, que vai dar sequência às investigações visitando as vítimas nas fazendas.
Com informações do Diário Online