Sem casas para morar e sem condições de pagar aluguel, 365 famílias invadiram uma área da prefeitura de Sonora (MS) desde a noite de ontem. Neste sábado (16), os lotes já estavam divididos, a maioria com 12 metros de largura por 18 metros de comprimento.
Os números foram repassados por Jair Ferreira Jara, de 37 anos, um dos organizadores do movimento. As famílias estão cansadas de esperar por uma casa da prefeitura. “O prefeito preferiu investir R$ 2 milhões numa praça em vez de fazer casas para quem precisa morar”, comentou o organizador.
As Rondas Ostensivas e Táticas do Interior (Rotai) foi ao local e conversou com algumas pessoas. De forma pacífica, os policiais militares pediram que as famílias deixassem o local, mas não teve acordo. Agora, a prefeitura deve entrar na Justiça para pedir a reintegração de posse.
Até o final desta manhã, o prefeito de Sonora, Zelir Antônio Maggioni (PMDB), o Mano, não tinha conversado com as famílias, muito menos mandado representante. “Na verdade, nosso prefeito não administra Sonora, ele viaja mais do que fica na cidade.
Segundo a reportagem do Edição de Notícias, naquele local, os exemplos de necessidades podem ser vistos em todos os lados, como o de Wilma Maria da Silva Santos, de 20 anos, que está grávida de oito meses. Enquanto o marido, que é guarda noturno trabalhava, ela passava a noite no terreno “destinado” a família recém constituída. “Não vou perder a esperança de ter a minha casa”, falou a futura mãe com lágrimas nos olhos.
Desempregada, viúva e mãe de três filhos, Evaneide Vivalda Pereira, de 33 anos, disse que anualmente se inscreve nos programas de habitação, mas nunca foi contemplada, embora esteja dentro dos critérios exigidos. “Aqui só recebe quem não precisa, conheço gente que tem quatro casas de aluguel, além de carrão na garagem, e foi beneficiada”, relata Evaneide.
Já Delcinda Gomes da Silva Santos, de 40 anos, que também é mãe de três filhos e separada, informou que sabe de várias pessoas que ganharam casas e vendem. “Sei de uma mulher que está vendendo a dela por R$ 20 mil”, comentou Delcinda.
O trabalhador rural, José Márcio Simão, de 28 anos, demonstrou indignação com a situação daquelas famílias. “Somos pobres, mas somos pagadores de impostos e temos direito a moradia digna. Não estudei, mas conheço os meus direitos e isso ninguém vai tirar”, frisou Simão.
Com informações do site Edição de Notícias