A dona de casa Andréia Candido Holosback, de 33 anos, vive um tormento há pelo menos 90 dias. Nesse período, ela recebeu mais de 100 cartas com ameaças de morte. No início, as cartas eram escritas por mulher e depois por homem. Todas são deixadas em sua casa.
Por conta das ameaças, a vítima teve de deixar um bom emprego, pois trabalhava a noite num hotel, assim como saiu da própria casa, no bairro Nova Coxim, para pagar aluguel na região central de Coxim. Mesmo assim, as ameaças não param.
O caso foi registrado na DAM (Delegacia de Atendimento à Mulher), que conseguiu identificar três adolescentes que deixavam as cartas na casa de Andréia. Embora a delegacia tenha pedido a detenção dos adolescentes, o MPE (Ministério Público Estadual) emitiu parecer contrário e os mesmos continuam livres.
Agora, a DAM espera os resultados de dezenas de exames de grafia, para chegar ao escritor das cartas. Na delegacia existe uma pasta, denominada “Caso Andréia”, que comprova todas as informações repassadas por ela.
Na noite deste domingo (17), as ameaças saíram literalmente do papel. Pelo menos cinco pessoas tentaram invadir a casa onde a vítima mora com os dois filhos. Andréia teve de deixar a residência escoltada pela Polícia Militar e foi dormir na casa de um casal de amigos. “Os meus filhos estão em pânico”, comentou.
Nas cartas existem vários tipos de ameaças, todas de morte. Nas últimas, o autor ou autora explica detalhadamente como pretende matá-la. Consta que ela será amarrada e morta lentamente na frente dos filhos. Em seguida, o assassino pretende atear fogo em seu corpo.
“Não sei mais o que fazer. Já mudei minha vida, estou desempregada e tendo de pagar aluguel. Procurei a polícia que tem feito de tudo para me ajudar, mas essa situação não tem fim. Cheguei até a pedir alguma medida de proteção para Ministério Público Estadual”, explicou.
Desesperada com a situação, seus pensamentos já vão ao extremo, como comprar um revólver para se defender. “O pior é que não faço idéia de quem seja, não tenho inimigos e jamais fiz mal a alguém que justifique tanta crueldade”, afirmou.
As cartas dão a entender que são escritas por terceiros contratados por uma mulher, que a vítima preferiu não revelar o nome. “Não acredito que seja essa pessoa, trata-se de uma mulher do meu ciclo de amizade, com quem nunca me desentendi”, frisou.
Neste momento, tudo que Andréia quer é paz para continuar levando sua vida normalmente, ao lado dos filhos. “Eu tinha uma vida simples e é o que quero de volta”, finalizou a entrevista com os olhos cheios de lágrimas.
(com informações do Edição de Notícias de Coxim)