O vereador Artur Orsi (PSDB) protocolou um pedido de investigações de contratos da Prefeitura de Campinas com a empresa do ex-genro do ex-coordenador de Comunicação Francisco de Lagos Viana Chagas. As irregularidades foram mostradas em reportagem do Correio Popular no final de semana.
Uma das empresas vencedora de licitações está em nome de Hugney Carrilho Ferreira, ex-genro de Lagos. A Normandie Comunicação Ltda., de Hugney — também conhecido como Ney —, venceu em dezembro do ano passado três concorrências públicas no valor total de R$ 921 mil para realizar a iluminação de Natal e confeccionar objetos para os festejos natalinos.
Em outra frente de suposto favorecimento, a empresa Soluções Quality, formada por dois sócios de Campo Grande (MS), amigos do ex-coordenador, conseguia explorar pontos de publicidade para a colocação de outdoors em espaços públicos nas principais regiões de Campinas. O benefício se limitou a esses empresários. Nenhuma outra empresa de publicidade conseguiu a mesma liberação, segundo profissionais da área, que não quiseram ser identificados.
Lagos chegou à Administração de Campinas vindo de Rondonópolis, no Mato Grosso, logo no primeiro mandato, em 2005. Durante os primeiros anos foi o responsável por blindar o prefeito em relação à exposição na mídia e a reflexos de atos do Executivo. Atuava como porta-voz do pedetista e também chegou a ocupar o cargo de secretário de Cultura, acumulando as funções de coordenador de Comunicação, o que o transformou numa espécie de “superssecretário”.
Lagos também foi coordenador de Comunicação da Prefeitura de Campo Grande (MS) e, posteriormente, Secretário de Cultura e Turismo. Em Campinas ele foi considerado como um dos integrantes da República de Mato Grosso do Sul que formava o núcleo de poder. Dentre eles, o ex-prefeito de Corumbá, Ricardo Cândia, e o ex-vereador e ex-presidente da Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul), Aurélio Cance. Ambos chegaram a ser presos recentemente em Campinas acusados de atos de corrupção no episódio que ficou conhecido como Caso Sanasa.