Nova Andradina é um município do interior de Mato Grosso do Sul com pouco mais de 44 mil habitantes. Grande parte da população é formada por pessoas que simplesmente passariam uma temporada na cidade, mas acabaram ficando por aqui e constituíram família, amigos, negócios...
A funcionária pública Jaqueline de Araújo Moraes, de 30 anos, é uma delas. Nascida em Santa Catarina e criada em São Paulo, a servidora municipal concursada conta que veio à cidade para passar apenas uma semana e lá se foram 12 anos de Nova Andradina.
Recém-chegada como garota de programa, Jaqueline - que na época já era mãe de uma menina - mal imaginava as peças que o destino lhe pregaria na cidade que deveria servir de abrigo apenas para uma rápida temporada. Nestes 12 anos ela se casou, se separou, criou os três filhos e passou por um difícil período na Cadeia Feminina de Corumbá, onde ficou presa por um ano e três meses, acusada de tráfico de drogas.
“Quando cheguei em Nova Andradina para passar essa semana, eu me apaixonei e me casei, fiquei seis anos casada e tive dois filhos com ele. Depois do fim do casamento eu me envolvi com coisas erradas e acabei presa, foi a ilusão do dinheiro fácil, mas eu paguei pelo o que fiz e hoje trabalho firme. O tempo na prisão não vale a pena”, destaca.
Sem fugir dos clichês, Jaqueline diz que foi “vivendo e aprendendo”. Ela destaca o voto de confiança da Prefeitura para continuar no cargo. “Eles acreditaram em mim, tive uma segunda chance. Quando sai da prisão, eu só pensava em Nova Andradina, de voltar para essa cidade”, conta.
Há quatro meses, Jaqueline deu início a um novo empreendimento, um bar no bairro Vila Beatriz. Casada há dois anos, ela continua na Prefeitura e ainda encontra tempo para vender roupas pela cidade, com o objetivo de expandir o novo negócio e “quem sabe um dia abrir uma conveniência”, vislumbra.
“Em Nova Andradina, muitas pessoas te julgam pelo teu passado e não pelo o que você é, existe muito preconceito. Se a sociedade for unida, tudo seria bem melhor, com cada um fazendo a sua parte”, opina Jaqueline.