- Minha filhinha, que bom te ver bem, seu irmão casou, tem um filho. Você melhorou da bronquite?
- Melhorei, nunca mais tive. Eu sei que foi difícil, mãe. Eu também casei, ainda não tenho filho, saí do trabalho para vim te ver.
Em poucas palavras, mãe e filha falam tudo que 22 anos de afastamento deixaram para trás. Parecia que não se viam há uma semana, mas Noeli da Silva Pires tem hoje 32 anos e foi adotada com 12 anos, quando morava em Corumbá. “Eu ia passar fome, era difícil, tinha muitos irmãos. Eu era de um outro relacionamento da minha mãe e meu padrasto bebia muito e batia na minha mãe. Tive sorte de ser adotada, minha vida era muito triste”, conta Noeli.
Durante muito tempo Noeli ficou receosa em procurar a família biológica, a mãe de criação dizia que as irmãs tinham “se perdido na vida”. Mas ela nunca teve mágoas da mãe. “Tinha saudade, convivemos pouco, mas a gente sente que falta alguma coisa”, comenta o irmão Wanderley da Silva, 30 anos, que pagou a passagem da mãe para o reencontro. “Estou muito alegre, contente. Fazia tempo que não via ela e queria saber como ela estava, ficava imaginando o rosto dela”, conta a mãe Luiza Amaro da Silva, 53 anos.
Mil famílias
Hoje, mãe, filha e um irmão se reencontraram na 5ª Delegacia de Polícia de Campo Grande por intermédio da investigadora Maria Campos. Quem procurou Maria, foi Noeli, que há muito tempo queria reencontrar a mãe. “Fiz uma criação na Polícia Civil em 93 e desde lá já fiz mais de mil reencontros. Comecei porque encontrei a mãe biológica do meu marido e isso foi muito bom para nossa família”, lembra a investigadora.
Para quem quiser reencontrar um parente ou tiver informações sobre alguma família “perdida” é só entrar em contato com a investigadora pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones 9989-0778 e 9230-8767.