Escolas de Campo Grande entraram no roteiro de visitas de profissionais de educação estrangeiros, interessados em trocar experiências e ver de perto o processo de aprendizado dos alunos, o trabalho dos professores e a estrutura oferecida. Nesta semana, dois grupos de educadores, um do Japão e outro dos Estados Unidos, visitam série de escolas públicas e particulares da Capital sul-mato-grossense, por meio de programas de intercâmbio entre os governos desses dois países com o brasileiro. Este é o segundo ano consecutivo que Mato Grosso do Sul recebe missões norte-americana e japonesa no setor da educação. Os visitantes permanecem na cidade até a próxima quinta-feira.
Ontem de manhã, o grupo de professores nipônicos esteve na Escola Municipal Agrícola Governador Arnaldo Estêvão de Figueiredo, situada na região de Três Barras.
Acompanhados de um representante da Agência Internacional de Cooperação do Japão (JICA, na abreviação em inglês da entidade) e de uma intérprete da Capital, os professores conheceram as atividades de bovinocultura, a horta orgânica desenvolvida por meio do projeto PAIS (Produção Agroecológica Integrada Sustentável), avicultura de postura, horta convencional, suinocultura e psicultura, além de interagir com os alunos em sala de aula, visitar a cozinha experimental e o laboratório de ciências da instituição.
Antes de Mato Grosso do Sul, os educadores estiveram em São Paulo e o próximo destino será o Pará. Todas as localidades foram escolhidas por apresentar uma grande concentração de descendentes de japoneses e no caso específico de Campo Grande, conhecer o dia-a-dia de uma escola agrícola que dispõe de todas as etapas de ensino, desde o ensino fundamental até a educação profissional integrada ao ensino médio — hoje, 336 alunos estudam na unidade, 100 deles cursando a educação profissional.
"Para nós é interessante (a visita), porque ele vieram para conhecer como funciona a educação no campo aqui, onde também é grande a colônia japonesa. Também nos sentimos honrados, porque significa que a repercussão ao nosso trabalho está acontecendo", comentou o diretor titular da Escola Agrícola, Moacir José da Silva Borges.
Impressões
Os visitantes japoneses mostraram-se impressionados com o que viram e manifestaram a intenção de incluir a experiência do Brasil no conteúdo regularmente ministrado aos alunos. Para Yoshiharu Hirowatari, um dos oito integrantes da comitiva e professor de uma escola agrícola na província de Fukuoka, um dos aspectos que mais chamou a atenção foi a destinação daquilo que é produzido na escola campo-grandense.
"A grande diferença entre Brasil e Japão é que aqui a produção (de hortifruti) acontece em pequena escala e para consumo próprio, preza-se mais o aprimoramento do ensino dos alunos. Lá, o empenho é para produzir em grande escala e a produção abastece a região onde a escola está", comentou. No caso do local onde ele trabalha, onde há 1,5 hectare de área plantada — na Escola Agrícola Municipal, a título de comparação, a área ocupada para plantio de horta convencional, orgânica e pomar é de aproximadamente 1 hectare —, as hortaliças são comercializadas pela metade dos preços praticados pelos supermercados. No ano passado, a produção resultou em um milhão de ienes (o equivalente a R$ 20 mil).
O comportamento dos próprios alunos também causou impressões positivas na comitiva nipônica. "Percebi que eles estão mais motivados que os alunos do Japão em aprender e aprimorar a técnica. Todos têm interesse em se tornar grandes profissionais. Essa não é uma opinião só minha, mas de todo o grupo", destacou o professor Yoshiharu Hirowatari.
Quebra na rotina
Para os estudantes, a visita dos professores japoneses representou uma quebra na rotina — muitos fazem diariamente "viagem" de até uma hora para poder frequentar as aulas na Escola Municipal Agrícola Governador Arnaldo Estêvão de Figueiredo, que funciona em período integral —, além de render a primeira oportunidade de manter contato com pessoas de outras nacionalidades.
"É legal, para aprender a conviver com pessoas que falam outras línguas", comentou João Victor Almeida Alves, 14 anos, que depois de concluir o ensino na Escola Agrícola, pretende tentar uma vaga no curso de Medicina Veterinária.
Essa também é a opinião de sua colega Luana Jesus Marques, 15 anos. "Muita coisa é novidade para eles e a gente vê que é uma cultura diferente e nos dá a chance de interagir", comentou. Para outras duas estudantes, Fernanda Gomes de Souza, de 15 anos, e Natielly Dias Chimenes, também de 15 anos, o primeiro contato foi um pouco difícil, mas bastante gratificante e contribui para a abertura de novas possibilidades de futuro profissional — as duas começaram cursode inglês nesse ano e sonham em ingressar respectivamente nos cursos de Medicina e Medicina Veterinária.