Diante do risco de o PMDB perder o controle das prefeituras de Campo Grande e de Três Lagoas nas próximas eleições, o governador André Puccinelli (PMDB) admitiu ontem estar aberto para dialogar e até firmar aliança com o PT — tradicional rival do PMDB em Mato Grosso do Sul. Ele afirmou não ver problema nenhum em deixar para trás o período de rixas e até revelou estar em clima de "namoro" com os petistas.
"Eles continuam me namorando bastante", afirmou. O governador lembrou ainda do seu período de "namoro" com a presidente Dilma Rousseff (PT) para fechar parceria na sucessão estadual e presidencial, no ano passado. "Eu não fui correspondido e fiquei plantado no altar", comentou.
Para André, a aliança entre PT e PMDB já é uma realidade em Mato Grosso do Sul. Como exemplo, ele citou as parcerias existentes entre os dois partidos nas prefeituras de Corumbá, Dourados e Rio Negro. "Não houve veto meu para que o PMDB compusesse com o Ruiter Cunha (prefeito de Corumba), eu fui na televisão lá e fiz depoimento para o Ruiter. Então, porque nós não podemos receber o apoio (do PT na Capital e em Três Lagoas). Qual é a diferença?", questionou.
Tanto em Campo Grande quanto em Três Lagoas, por enquanto, o PMDB não tem candidato competitivo para impedir a vitória da oposição. A situação se torna ainda mais dramática porque os dois municípios são os principais redutos eleitorais de André, da vice-governadora Simone Tebet (PMDB) e do prefeito Nelsinho Trad (PMDB). Por isso, uma derrota poderá minguar o poderio dos peemedebistas. Para escapar do risco, um dos planos dos governistas é se aproximar dos tradicionais rivais.
"Nós não estigmatizamos partido nenhum, porque tem pessoas boas e ruins em todos os partidos. Nós do PMDB respeitamos os diretórios de cada município", reiterou o governador, sinalizando, mais uma vez, a hipótese de se unir aos petistas.
Apesar de reconhecer a possibilidade de se juntar aos rivais, André não admitiu ver dificuldades para o PMDB vencer na Capital e em Três Lagoas. "Põe ali, o candidato do André e do Nelsinho vai ganhar em Campo Grande, mesmo que (o candidato) seja do PMDB e pode ser muito bem do PMDB. Lá em Três Lagoas vai ganhar o candidato do André e da Simone", apostou.
Para demonstrar sua convicção na vitória de seus candidatos, o governador ainda se propôs a "assinar" qualquer documento apontando o resultado positivo de seu grupo político nas eleições de 2012.