A procura pela vacina antirrábica nas clínicas veterinárias de Campo Grande aumentou nos últimos dias após a confirmação de que um cão pitbull, que vivia na região do Jardim Anache, estava com raiva canina. Segundo apurou a reportagem do Correio do Estado, alguns estabelecimentos já tiveram de solicitar mais doses para seus fornecedores, devido à grande demanda. Segundo o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), há 23 anos a doença não era registrada na Capital.
Foram ouvidas cinco clínicas, sendo que duas delas estão localizadas no norte da Capital, mesma região onde o caso da doença confirmado foi registrado. Em algumas as doses da vacina contra a raiva acabaram no fim de semana. Os proprietários informaram que logo após da divulgação do caso de raiva canina, a procura não apenas pela vacina, mas também por orientações sobre a doença cresceram. "Sempre temos uma procura grande pela vacina contra a raiva, mas neste final de semana foi muito maior que o de costume", afirmou o médico veterinário Antônio Carlos de Abreu, da Totó Company.
Ele é proprietário de duas clínicas em Campo Grande - uma no bairro Santo Amaro e outra no Coronel Antonino - e afirmou que nas duas lojas o estoque de vacinas foi zerado. "Sempre mantemos um estoque da vacina, mas nesse fim de semana, com a divulgação do caso de raiva, a procura foi muito grande e as doses acabaram. Tivemos que fazer pedido imediato da vacina", comentou. Somente entre a sexta-feira (12) e sábado (13) foram mais de 20 cães vacinados em cada uma das clínicas.
Na Veterinária Amigo do Bicho, localizada no Coronel Antonino, o médico veterinário Roque Borges Daniel Neto informou que as doses não acabaram, mas a procura foi muito grande. "Atendemos dezenas de pessoas preocupadas com o caso de raiva e querendo saber o que fazer com seu cão. Aplicamos muitas vacinas também, em número acima da demanda normal", disse.
Em unidades veterinárias que atendem em regime de plantão, o sábado e o domingo foram dias de muito trabalho, Em uma das lojas, mais de 20 pessoas em cada um dos dias buscou vacina para seu cãozinho. "Nosso estoque deu para atender a demanda, mas geralmente aos finais de semana não aparecem donos de cães procurando vacina contra a raiva, mas neste último foi demais e a maioria dos clientes queria saber sobre a vacina antirraiva e mesmo sobre os cuidados com is animais", afirmou a médica veterinária Débora Cristina Ribeiro Lachi, da clínica Bourgelat.
Na Petit Bichon, a situação foi a mesma. Uma funcionária do local informou que nos finais de semana quase não há atendimento, mas após o anúncio do caso de raiva no Anache a procura pela clínica foi atípica. "Foram muitos clientes e até mesmo quem não é paciente nosso nos procurou para ter mais detalhes e tomar a vacina", afirmou.
Campanha em outubro
O CCZ aplica a vacina antirrábica apenas em casos urgentes ou quando há as campanhas nacionais de vacinação. Após a confirmação de raiva canina no Anache, o combate está sendo feito apenas na região do perímetro do bairro. A diretora do centro, Júlia Macksoud, afirmou que o foco das ações do CCZ nesse momento é o bloqueio do vírus, a fim de impedir que ele chegue em outros bairros. A diretora informou ainda que muitas pessoas têm entrado em contato com o centro para obter orientações e mais detalhes sobre a doença.
Segundo a Secretaria de Estado de Saúde (SES), Mato Grosso do Sul ainda não recebeu as doses de vacinas para a campanha nacional do Governo Federal, que deve ocorrer apenas em outubro - a informação inicial do Ministério da Saúde era de que a imunização em setembro. De acordo com o ministério, a vacina é importada e está havendo atraso na chegada dos pedidos. O Estado irá receber 675 mil doses para vacinar 613,9 mil cães e gatos.
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