O primeiro vice-presidente da Câmara Municipal de Campo Grande, vereador Lídio Lopes (PP), estranhou a comercialização de produtos não artesanais no corredor do prédio. Hoje, se vende de calcinhas a colchões na Casa das Leis. "Entendo que a Câmara não é lugar para comercializar", disse. Esse entendimento é compartilhado por vários cidadãos ouvidos pelo Correio do Estado.
Reportagem, que provocou indignação dos leitores, sobre o comércio na Câmara foi também uma das mais acessadas no Portal Correio do Estado
Além da polêmica, o vereador Lídio Lopes previu sérios problemas para a Mesa Diretora envolvendo o setor privado. Isso porque a abertura do espaço para determinados comerciantes pode gerar o interesse de outras empresas. "Não pode cercear nenhuma, e como é que você vai abrir para todo mundo? A Câmara não tem espaço para isso", adiantou. A falta de espaço no prédio foi, inclusive, alvo de reclamações do presidente da Casa, vereador Paulo Siufi (PMDB), no primeiro semestre deste ano, quando foi anunciada a ampliação do prédio para abrigar os novos vereadores que serão eleitos em 2012.
Contrária
A vereadora Grazielle Machado (PR) foi mais incisiva nas críticas à prática de comercialização no prédio. "Eu acredito que tudo tem o seu lugar para fazer e a Câmara é um local de trabalho, onde o funcionário está para atender o cidadão. Tem o final de semana para fazer compras", defendeu. Ela também reclamou de não ter sido feita consulta para transformar o corredor em espaço comercial. "Os vereadores que não fazem parte da Mesa Diretora não tiveram participação e não opinaram", pontuou.
A vereadora destacou ainda que os comerciantes em geral precisam de alvarás de funcionamento e pagam impostos, o que não está sendo feito na Câmara. Conforme apurado pela reportagem, as empresas beneficiadas não oferecem nenhuma contrapartida pelo uso do espaço e nem sequer colaboram com as despesas como água e limpeza do local, pagas com dinheiro público.
Para o vereador Paulo Pedra (PDT), os corredores da Casa das Leis devem ser utilizados para expor apenas produtos artísticos, como é feito no espaço cultural da Câmara — que fica ao lado do alternativo onde há itens comerciais. Apesar de defender exposições artesanais, ele disse não se incomodar com a presença das empresas privadas e avaliou que a decisão sobre o assunto é prerrogativa da presidência da Casa.
O vereador Paulo Siufi (PMDB), presidente da Câmara, não foi localizado para informar se pretende fazer alguma modificação no espaço alternativo. Dos integrantes da Mesa Diretora, apenas o vereador Lídio Lopes foi localizado para comentar o assunto.
População
Entre os cidadãos, a maioria discorda da prática de comercialização no prédio da Câmara e alguns chegaram a classificar como "absurda" a autorização da Mesa Diretora para as vendas. "É um absurdo. Já que eles proíbem vender na rua, dentro de um órgão público não deveria não", protestou o ambulante Izac Barbosa.
Já a vendedora Daniele Lima acredita que a iniciativa da Câmara é uma forma de valorizar o funcionário. "Eu acho que não tem problema nenhum, não atrapalha o serviço. As pessoas precisam trabalhar e existe o espaço. Só tem que tomar cuidado para não virar uma bagunça", comentou.