Muitos campograndenses têm a oportunidade de apreciar o voo das graciosas araras com "hora marcada", ou seja, assim que amanhece e no pôr-do-sol. Momentos como estes serão temas da exposição "Aves da Nossa Terra " que será aberta nesta quarta-feira (24), às 19h, quando da inauguração do Centro de Atendimento ao Turista (CAT) na Praça de Eventos do Shopping Norte Sul Plaza.
Na exposição fotográfica, a prova registrada da grande população de araras da Capital que, tecnicamente, contraria a visão pessimista de que elas vêm para cidade por conta da devastação no campo. “Entre 1999 e 2000 tivemos escassez de alimento e queimadas no Pantanal, o que acarretou a vinda de araras para cá. Porém, elas só se estabeleceram porque Campo Grande tem uma oferta grande de árvores frutíferas e palmeiras para ninho”, explica a professora de mestrado em Meio Ambiente da universidade Anhanguera/Uniderp, Neiva Guedes, que também é presidente do Instituto Arara Azul.
A professora indicou ao Portal Correio do Estado alguns ninhos de araras em locais bastante movimentados da cidade, como as rotatórias do Bairro Rita Vieira e Avenida Três Barras. Ao observarmos as araras da espécie canindé (azul com o peito amarelo) é comum nos sentirmos observados por essas aves que mesmo graciosas, deixam claro que são selvagens quando vocalizam os famosos “gritos”.
Natural
Naturalmente, as araras encontraram um local ideal para morar e, para seguir com a naturalidade, é preciso alertar que as araras não são domesticáveis e que tentar alimentar ou aprisionar essas aves traz prejuízos ao ecossistema. “Não incentivamos que ninguém dê alimentos picados ou domestique, isso tira a função do animal que é nascer, crescer e reproduzir. O legal é admirar ou plantar árvores frutíferas e palmeiras. Não queremos araras dependentes das pessoas”, aponta a professora.
Com o privilégio de ter araras tão próximas à cidade, vêm alguns problemas, como aconteceu nesta segunda-feira. Uma arara foi atropelada por um caminhão. Ela habitava um ninho artificial colocado em uma palmeira próxima à BR 262 e ao sair fez voo rasante, colidindo com um veículo. “A consciência ambiental da população mudou muito. Não registramos mortes por apedrejamento, por exemplo, apenas causas naturais e eventuais acidentes como este”, contabiliza a bióloga.
Em Campo Grande encontra-se araras canindé e vermelha, a azul ainda não chegou até a Capital devido a restrição de alimentação, que é baseada em bocaiúva e bacuri – pouco encontradas na cidade. Contudo, a bióloga já aponta a presença de araras azuis em Rochedo. O projeto monitora os ninhos e pede que se alguém souber de um comunique pelo e-mail [email protected] ou pelo telefone (67) 9257-4183.