A obra de restauração e revitalização da Estação Ferroviária faz parte do Plano de Revitalização do Centro, possui um investimento de mais de R$ 2,5 milhões e começou em agosto de 2010, com entrega prevista para o final deste ano. Trata-se de uma das iniciativas da reestruturação do Complexo Ferroviário, cujo objetivo é transformar a área em um espaço de lazer e cultura. O processo começou com a Estação Ferroviária para, após o levantamento de recursos, implementar o projeto museográfico para o “Centro de Documentação e Referência da Estrada de Ferro Noroeste Brasil/RFFSA” e Parque da Esplanada.
Além de preparar o ambiente para receber o Centro Documentação e Referência, a ideia da restauração e revitalização da Estação Ferroviária é deixar o local bem parecido com o que ele foi em 1930. “Foi feita uma extensa pesquisa sobre a história da ferrovia, onde se observaram as fotos da época, as quais serviram como um guia para a revitalização”, explicou Clara Kohl, arquiteta e urbanista do Instituto Municipal de Planejamento Urbano (Planurb).
Nessas imagens, foi possível observar que a Estação possuía quatro guichês, o muro tinha aberturas, as janelas eram maiores, dentre outros pontos. “A Estação passou por várias reformas ao longo dos anos. E agora, durante a obra, conseguimos encontrar, por exemplo, um piso por baixo do que estava atualmente e descobrir que a placa que ficava em cima dos guichês nas fotos, na verdade, é uma pintura”, relatou Clara, destacando que o portão de ferro trabalhado no acesso principal, da década de 20, ainda está intacto, porém sem a identificação da Noroeste do Brasil (NOB).
Conforme o painel explicativo na entrada da obra, a cobertura de telha cerâmica francesa será reaproveitada, recebendo tratamento de limpeza e pintura protetora com solução de silicone; todas as telhas de fibrocimento serão trocadas por telha metálica com isolamento termoacústico; o madeiramento será revisado; permanecerá o piso da plataforma, mediante correção das juntas de dilatação e troca de alguns módulos; e os pisos no interior do edifício que estiverem conservados serão mantidos.
Somando a essas melhorias, o projeto insere uma sala multiuso no final da plataforma (avenida Mato Grosso com Calógeras), que será fechada com vidros e terá também banheiros adaptados.
Pelos trilhos do trem
A estação de passageiros, bilheteria, sanitários e apoio ferroviário foram as primeiras partes do complexo ferroviário a serem construídas, em 1914. Devido ao movimento, em 1924 realizou-se a ampliação da estação. Ao passar dos anos, o trem configurava-se cada vez mais como um importante meio de desenvolvimento econômico e social, o que fez com que a NOB realizasse novos investimentos na estação de Campo Grande.
Na década de 1930, a antiga estação deu espaço à nova e a área ocupada pela esplanada atual foi adquirida nessa mesma década, onde foram construídos os armazéns, o apoio ferroviário, a vila dos funcionários, as casas do chefe local da NOB, as residências dos engenheiros e funcionários graduados, a escola e a garagem. A esplanada foi finalizada em 1940, com a conclusão das oficinas e rotunda. Hoje, toda a área do Complexo Ferroviário está tombada em nível federal, estadual e municipal.
Planejamento
O Plano de Revitalização do Centro (Lei Complementar n. 161, de 20/07/2010) foi elaborado pelo Planurb para uma área de 257 hectares (Zona Especial de Interesse Cultural do Centro - ZEIC/Centro), orçamento estimado em R$ 270 milhões e com 92 ações previstas para serem desenvolvidas ao longo de 20 anos. Os objetivos são: proteger o patrimônio histórico e cultural, valorizar o espaço público e a economia da região, fomentar eventos e atividades de lazer, além de fortalecer a administração pública, nas áreas de fiscalização e monitoramento da ZEIC/Centro.
Em meio a todas essas ações previstas, a Orla Morena 1 já foi entregue (Júlio de Castilhos até a Rua Plutão) e, além da Estação Ferroviária, estão em obras o Centro Municipal de Belas Artes, a Orla Morena 2 (Rua Plutão até Rua Eça de Queiroz), a Orla Ferroviária (Avenida Mato Grosso até a Afonso Pena) e a Praça Ary Coelho.