Muitas pessoas não sabem, mas a rua 26 de Agosto é a mais antiga da Capital, que faz jus ao antigo nome, rua Velha. Os cerca de 2,5 quilômetros de extensão da via carregam muita história e fazem parte das boas recordações de muitas pessoas, como por exemplo, Ivani
Simões Vieira, de 55 anos, que cuida de uma loja de roupas ao lado do antigo e abandonado cinema Acapulco, “Frequentei muito esse cinema, a época de 72 foi a melhor. As pessoas vinham das fazendas só para assistir aos filmes de Bang-Bang, foram épocas de glória”, relembra Ivani, que diz que não ia ao cinema apenas para assistir filmes, “Ah, sempre tinha os paquerinhas, né? Do lado de fora pegava só na pontinha do dedo, mas la dentro sempre rolava uns beijinhos” conta.
A tradicional rua é caracterizada pelo contraste entre o antigo e o moderno. Tradições antigas como a venda de hortifrútis pelos indígenas na praça Oshiro Takimori, mais conhecida como praça do índio, divide o cenário com modernas construções, como por exemplo, o novo shopping 26 de Agosto, uma quadra acima.
A indígena Querotida Venâncio, de 62 anos, trabalha na praça há mais de 20 anos. Ela conta que a região era muito diferente, “Não tinha tantos carros, tantas pessoas, mas acho que mudou para melhor”, diz Querotides. Quando questionada sobre o novo shopping, ela não demonstra preocupação, “Vamos ver como vai ser, pode ser que melhore a situação para nós, com mais pessoas passando por aqui”, finaliza.
A cultura está presente na rua 26 de Agosto, não apenas com as tradições indígenas, mas o teatro Aracy Balabanian também se faz presente e sempre que tem algum evento leva muitas pessoas até a região com objetivo de prestigiar a cultura regional.
Os condutores mais observadores, podem contemplar a pintura da Arara, que fica no Edifício 26 de Agosto, em frente ao teatro Aracy Balabanian. A pintura já é imagem certa nos cartões postais da cidade, que simboliza a Capital como uma cidade ligada à natureza e repleta de araras.


Outra característica é o corredor de ônibus. Segundo a Associação das Empresas de Transporte Coletivo Urbano (Assetur), são 14 linhas que atravessam a via, a maioria delas é responsável por levar as pessoas dos bairros ao centro.

Aos poucos, a antiga rua Velha vai se transformando e se modernizando, acompanhando o ritmo de crescimento da Capital. Mas as lembranças dos momentos de glória, que ficaram marcadas na vida de muitas pessoas, ainda estão vivas dentro dos corações de cada campo-grandense que tem orgulho de viver na Capital Morena, no coração de Mato Grosso do Sul.
Fotos: Gabriel Maymone / Correio do Estado