Comprar um balanço para o filho por R$ 500, que após um mês já não é mais tão interessante para a criança. Adquirir uma barraca para acampar que será usada só uma vez por ano. Esses são alguns exemplos de produtos que, muitas vezes, exigem espaço para serem guardados em casa e nem sempre vale a pena tê-los. Qual a solução para quem não quer adquirir a mercadoria, mas eventualmente precisa dela? Alugá-la de acordo com a necessidade.
Uma das vertentes do consumo colaborativo, que inclui também a troca de objetos e a compra coletiva (consumidores que se reúnem para barganhar descontos), o aluguel de objetos já é oferecido por cinco sites no Brasil: Clube do Brinquedo, Bbzum, Disktem, Descola Aí e Busca Lá.
Funciona assim: o consumidor pode alugar produtos da página eletrônica, ou de outros consumidores, com a negociação intermediada pelo site.
Antes de fechar o negócio, no entanto, é preciso levar em conta o período de uso, assim como o valor cobrado pelo frete e verificar se a operação compensa o gasto.
Criado em abril do ano passado, o Clube do Brinquedo trabalha com pacotes. O consumidor escolhe de dois a sete brinquedos, que podem ter desgaste natural de uso, mas são higienizados, para ter em casa por um mês, pelos quais paga a partir de R$ 75. Após o término desse prazo, o pacote pode ser renovado. Não há custo de frete.
Clientes que ficam com os bens por meses recebem incentivos, como continuar pagando o mesmo preço e escolher mais um brinquedo, ou obter descontos.
Wagner Heilman, de 33 anos, diretor do site, conta que aluga cerca de 300 brinquedos por mês. “Estamos expandindo o aluguel para a Região Metropolitana e já atendemos praticamente toda a capital.”
Heilman explica o custo benefício do aluguel. “Alugamos brinquedos que chegam a custar R$ 600, de marcas reconhecidas, e pelos quais, geralmente, as crianças perdem interesse em dois meses. Alugando, os pais acabam economizando ou, pelo menos, garantindo uma diversidade maior e com consumo consciente.”
O BBZum também tem uma vitrine virtual com os brinquedos e artigos para bebês que aluga. As locações podem ser diárias, quinzenais ou mensais. O site também faz pacotes especiais para festas de aniversário, inclusive em bufês. Uma cadeirinha de carro, por exemplo, custa R$ 8,50 por dia.
“Temos berços para recém-nascidos que são usados por um curto período, geralmente três meses. Há produtos menores, como banheira flexível, que não ocupam muito espaço no carro e podem ser usados em viagens. Alugar é uma maneira de reduzir o consumismo desenfreado”, diz Luciana de Paiva Naufel, sócia proprietária da BBzum. O consumidor pode retirar os produtos na loja do Campo Belo ou ele é entregue com cobrança de frete cujo valor varia conforme o bairro.
No Disktem há desde cadeiras plásticas, camas de solteiro a até uma seção de bens inusitados, como crucifixos. A locação mínima é de R$ 1,50 por dia, caso das cadeiras plásticas. Porém, é necessário alugar ao menos o valor de R$ 30 por dia.
No caso das cadeiras, seria necessário pedir 20. Se o consumidor não quiser retirar os produtos na empresa, que fica no Butantã, sem custos, é cobrado no mínimo R$ 220 de frete. A maior parte dos aluguéis é feita por empresas, mas pessoas físicas também buscam os produtos, geralmente em situações festivas.
Intermediário
Já o Descolaí faz a intermediação do aluguel entre consumidores. O site entrou no ar há um mês e já tem 200 artigos para locação, entre coolers, videogames, acessórios esportivos e máquinas digitais.
“Criamos diversos itens de segurança para que a negociação seja tranquila, bem como contrato de locação e termo de vistoria padrão, que deve ser assinado tanto pelo locatário como pelo locador. O negócio deve ser fechado em um encontro pessoal e como garantia de devolução do produto o locador exige um valor caução, que é debitado na conta do locatário caso não entregue o produto no prazo”, diz Guilherme Brammer, diretor do site. O anúncio é gratuito e, caso a negociação seja efetivada, o site fica com 10% do valor.