Depois de 21 anos sem ter acesso definido de entrada, o Bairro Nova Campo Grande - região oeste da cidade - ganha uma obra de relevância. No local está sendo construída a rotatória que ligará novas vias ao local. Com o prolongamento da Avenida Amaro de Castro Lima que fará a interligação com outros bairros da região e ao centro da cidade esse isolamento involuntário chegará ao fim.
A obra incluída no completo Imbirussu-Serradinho deverá trazer mais mobilidade aos moradores, além da valorização dos imóveis. O acesso atualmente é difícil: os moradores e visitantes que querem chegar às residências reclamam muito.
Para ter acesso de carro a Nova Campo Grande, por exemplo, as pessoas têm de entrar no bairro Serradinho ou ir até a Vila Popular fazendo o retorno no viaduto da Avenida Duque de Caxias. Isso representa um percurso aproximado de dois quilômetros.
Já o morador, ao sair casa para trabalhar, por exemplo, na Vila Popular ou no Indubrasil, terá que ir até a rotatória do Serradinho e fazer o retorno pela Avenida Duque de Caxias.
O bairro ficou sem acesso definido depois que foi duplicada a saída para rodovia BR-262, saída para Aquidauana. A duplicação foi feita na década de 90, do Aeroporto Internacional de Campo Grande à Vila Popular sendo construído apenas um trevo na Vila Serradinho.
Isso acabou “isolando” as entradas do Bairro Nova Campo Grande. De acessos, apenas a saída do bairro ela Rua 57 e Avenida Amaro de Castro Lima a Duque de Caxias no sentido centro.
“No bolso”
O morador Cleber Barbosa Rocha, 31 anos, que reside na Rua 21 e trabalha no Núcleo Industrial, sabe muito bem o que representa tal percurso. “É no bolso que a gente sente pois, juntando a gasolina que gasto para ir até a rotatória do Serradinho, representa o que ganho em um dia do trabalho do mês. Com o acesso aqui no bairro esse transtorno vai melhor para todos os moradores”,
O fiscal sanitário Ramão Brito,50 anos que mora há mais de 20 anos no bairro e trabalha no frigorífico próximo da vila, evita sair com o seu carro. “Prefiro ir a pé do que de carro. Caminhando é mais rápido do que ir ao Serradinho para fazer o retorno. Com a obra talvez me arrisco; caminhando estou ganhado saúde”, diz sorrindo.
O bairro
O loteamento foi criado em 1965 pela Financial Imobiliária, desmembrado dos 645 hectares pertencentes à família Coelho. O local era pasto do frigorífico Frima (Frigorífico Mato Grosso) aberto em 1953 pela mesma família para abater seus rebanhos e de outros pecuaristas. A área foi dividida em 7.500 lotes de oito blocos. O primeiro morador do bairro foi Eustáquio Godoy, na casa de número 20, na rua 57.
No bairro, a imobiliária começou a construir 197 casas a partir de 1967 no bloco que fazia divisa com a Vila Serradinho. As casas foram construídas ao longo de dez anos e divididas em padrão que eram de A-F.
O pensamento dos proprietários seria fazer da Nova Campo Grande um condomínio fechado. O que não deu certo. Um cinema foi construído em 1974, e ficava na Rua 49 com a 55. Mas foi fechado no ano seguinte pelo empresário Ubirajara Vieira Ortega.
PORTAL DE ENTRADA DO PANTANAL
Apesar da distância, muitas famílias que moram no local valorizam a tranquilidade da Nova Campo Grande. A extensa área verde presente nas ruas arborizadas, também virou abrigo para muitas araras e outros pássaros da flora pantaneira. A infinidade de aves nas copas das árvores em busca de frutas e sementes, faz com que alguns moradores mais apaixonados pela região, classifiquem o local como o verdadeiro portal de entrada do Pantanal na Capital.
(Colaborou Rosana Siqueira)