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Cadastro de doadores de medula aumenta 40 vezes no Estado

Cadastro de doadores de medula aumenta 40 vezes no Estado

Redação

15/09/2011 - 00h00
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No período de dez anos, o número de doadores cadastrados no Registro Nacional de Doadores de Medula Óssea (Redome) aumentou em 40 vezes em Mato Grosso do Sul, passando de 555 cadastros em 2001 para 21.946 no ano passado. Mas apesar desse incremento, o Estado faz parte da região geográfica do País que proporcionalmente dispõe de menos doadores cadastrados — o percentual de doadores no Centro-Oeste é de 8%, enquanto o Sudeste concentra 48% dos doadores cadastrados no sistema nacional.

Os números, divulgados ontem pelas coordenações do Banco de Sangue e do setor de Organização de Procura de Órgãos e Tecidos (OPO) do Hospital Regional, são uma mostra do desafio que as autoridades públicas têm pela frente, aumentar a participação sul-mato-grossense nessas estatísticas e assim ampliar as chances de vida para pessoas que necessitam do transplante, inclusive pacientes do próprio Estado. Hoje, há 1.200 pacientes aguardando doadores compatíveis em Mato Grosso do Sul.

Com o objetivo de sensibilizar a população, o Hospital Regional realizou ontem campanha para captação de novos doadores de medula óssea entre servidores, usuários e visitantes da instituição. Durante a ação, voluntários cadastraram-se e foi coletada uma amostra de 5 mililitros de sangue, que serão encaminhados para exame de mapeamento genético e posteriormente incorporados ao banco de dados do Redome. "A partir do momento em que há um receptor disponível, esse potencial doador é convocado e nesse momento decide se quer doar", explicou a médica intensivista Patrícia Almeida, da OPO do Hospital Regional.

Doadores

O funcionário público federal aposentado Manoel Armôa, de 60 anos, foi um dos doadores cadastrados ontem durante a campanha do HR. "Vim visitar uma amiga que está internada e resolvi participar. Fazer parte dessa rede é muito gratificante", disse o voluntário, que já é doador de sangue há 30 anos.

Servidora da área administrativa do HR, Maristela Amaral Rios, de 29 anos, também decidiu entrar para o banco de doadores de medula óssea nacional. "Hoje que eu sou mãe (de um menino de dois anos), eu me coloco no lugar das mães dessas crianças que estão precisando de doador. Além disso, a gente pode estar ajudando até mesmo um familiar. É tão difícil ter alguém compatível, acho importante colaborar com a vida", comentou.

Comprometimento

Na ocasião, também foram divulgadas estatísticas sobre a evolução do cadastro de medula óssea no País — que atualmente tem o terceiro maior banco de dados de doadores (2 milhões), sendo superado apenas pelos Estados Unidos e Alemanha, conforme o Instituto Nacional do Câncer (Inca) — e no Estado. "Neste ano, o Inca voltou-se para Mato Grosso do Sul, por causa da proximidade do Estado com a região de fronteira, por ter a segunda maior população de japoneses (concentrada em Campo Grande) e também por causa da grande população indígena e quantidade de migrantes. Acredita-se que por causa dessa miscigenação, há mais chance de se conseguir um número maior de doadores compatíveis", explicou.

Somente entre 2009 e o ano passado, o crescimento de cadastros em Mato Grosso do Sul no redome saltou 91,5%, passando de 16.937 para 11.450 cadastrados. Para a coordenadora do Banco de Sangue do HR, esse salto está relacionado principalmente ao processo de descentralização da hemorrede e à institucionalização das ações de incentivo à doação de medula óssea durante o trabalho regular de captação de doadores de sangue. "Houve uma motivação da hemorrede em fazer esse trabalho nos hemonúcleos", avalia.

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