O período crítico de chuvas está prestes a começar e segundo o histórico meteorológico, em outubro já existem riscos de alagamentos devido ao grande volume de precipitação previsto. Em Campo Grande, a prefeitura realizou diversas obras na tentativa de amenizar os problemas do período, mas poucas delas estão prontas e, segundo o o secretário de obras da cidade, João Antônio De Marco, locais de tradicional ocorrência de enchentes "devem voltar a sofrer". "Não me atrevo a dizer que a cidade está livre das enchentes", afirmou.
De dez obras, quatro estão em fase final ou já foram totalmente concluídas, conforme o secretário: no cruzamento da avenida Mato Grosso com a Via Park, na rua Paulo Coelho Machado e arredores do Shopping Campo Grande, na avenida Ceará e no bairro Dona Neta. Esses locais receberam rede de drenagem capaz de suportar as águas das chuvas previstas para este ano. Moradores da comunidade Dona Neta, por exemplo, no cruzamento das avenidas Ernesto Geisel e Manoel da Costa Lima, reclamavam da capacidade de escoamento da água pluvial. Como as ruas ficam abaixo do nível da avenida, os alagamentos eram frequentes.
Embora as obras para evitar enchentes nesses locais tenham sido concluídas, De Marco sustenta que existe uma máxima na Engenharia segundo a qual "a maior chuva é a que está por vir". Por isso, "não existem garantias contra alagamentos, mas pelo que já vimos, as obras vão suportar o período de chuvas".
Outras tantas obras estão em andamento e "partes" já foram concluídas e serão capazes de amenizar os impactos, como a drenagem feita na Via Morena e a que está em andamento nas vias periféricas à avenida Júlio de Castilhos. "Essas obras serão capazes de conter os alagamentos no Jardim Imá e Santo Antônio", disse o secretário. Os dois bairros estavam entre os mais atingidos por alagamentos durante os período de chuvas, no início deste ano.
No caso da Júlio de Castilhos, que vai passar por recapeamento, ao custo de R$ 18 milhões, as intervenções já começaram e a primeira parte é a drenagem das ruas do entorno da via.
Contra o tempo
As intervenções na região dos córregos Cabaça e Areias, que cortam bairros como Jardim América e Paulista, também estão sendo executadas e algumas das etapas já foram finalizadas, como a construção da galeria de drenagem para as águas das chuvas. Conforme o secretário, a etapa já concluída vai amenizar os impactos da precipitação nos bairros Jockey Clube e Marcos Roberto, que recebem as águas que descem da região. No entanto, o restante das obras necessárias para acabar com o sofrimentos dos moradores dessas regiões, que há mais de 15 anos convivem com as enchentes, não deve acabar agora.
"Nossa intenção é começar o mais rápido possível as intervenções, mas não devem ficar prontas antes do período de chuvas fortes". A obra mais imediata a ser feita é uma bacia de retenção que será aberta atrás do Atacadão para receber a água das chuvas. Esse espaço deve começar a ser aberto nos próximos dias, em área próxima ao córrego Cabaças. Na mesma região a prefeitura espera começar, também nos próximos dias, as obras de drenagem de vias periféricas.
Nas regiões dos córregos Sóter e Segredo está previsto o início de obras de barragens de contenção a enchentes, sendo que em 30 dias começa a construção da terceira barragem do Sóter e de duas para o Segredo. De acordo com o secretário, "a execução das barragens no córrego Segredo já vão ajudar o rio Anhanduizinho e vai administrar as águas que chegam ali".
Nada feito
Pontos também críticos de alagamentos na cidade não receberam nenhuma ação ou recurso para obras até o momento. Entre eles, o córrego Vendas, que transborda e invade a Praça Itanhangá e destrói o pavimento da avenida Joaquim Murtinho. O projeto já foi encaminhado ao Ministério da Integração, ao custo de R$ 15 milhões, mas ainda não foi apreciado.
Outra obra importante e decisiva para os problemas de alagamento é a intervenção no rio Anhanduí, ao longo Avenida Ernesto Geisel entre a rua Santa Adélia até a avenida Campestre, no Aero Rancho. O recurso previsto é de R$ 41 milhões e acabou de ser aprovado pela Caixa Econômica Federal (CEF). "O projeto é muito grande e complexo, por isso a aprovação também demorou", disse De Marco, que ainda afirmou: "são muitas coisas para serem feitas e não teremos tempo hábil para realizá-las antes das chuvas". (Colaborou Maria Matheus)
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