A avenida Afonso Pena é a campeã no número de acidentes de trânsito em Campo Grande. Entre os dias 1º de janeiro e 22 de setembro foram registradas 465 colisões - 166 delas com vítimas e outras 329 somente com danos materiais. Os dados são do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) de Mato Grosso do Sul. Ainda segundo o levantamento do órgão, no mesmo período, as avenidas consideradas as principais artérias do trânsito da Capital - Afonso Pena, Mato Grosso, Ernesto Geisel e Eduardo Elias Zahran - foram palco de 1135 acidentes (veja infográfico nesta página). O levantamento do Detran leva em conta os registros em 1,2 mil ruas de Campo Grande, onde foram verificados 8134 acidentes - 4.222 com pessoas feridas e 3.912 com danos materiais.
De acordo com a responsável pelo setor de educação da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), Ivanise Rota, a concentração de acidentes nessas avenidas ocorre pelo fato de serem vias longas, com trechos de "convite" ao excesso de velocidade e por onde passa uma grande quantidade de veículos, além de pedestres. Ela afirma que todos esses locais são bem sinalizados, com semáforos, placas e radares. O que estaria provocando o grande número de acidentes, mais uma vez, seria a imprudência dos condutores. "Essas ruas são largas e bem sinalizadas, mas os motoristas aplicam uma alta velocidade, ultrapassando o limite que é de 60 quilômetros por hora", avalia.
Ivanse chamou a atenção para o fato de todas essas avenidas serem pavimentadas e estarem em bom estado de conservação. "O que explica o grande número de acidentes então?", indagou. Ela avalia que as vias mais planejadas, sinalizadas e pavimentadas garantem a segurança do motorista. Dessa forma, o condutor sente-se à vontade para abusar da velocidade e cometer infrações. "A Afonso Pena, por exemplo, está sendo recapeada e depois que estiver pronta os motoristas terão que redobrar a atenção, porque é exatamente na boa pista que os motoristas mais correm", analisa.
A diretora de educação de trânsito afirma que a Agetran, Detran e a Companhia Independente de Transporte e Trânsito (Ciptran) fazem a cobertura das ruas da cidade com orientações, blitze e fiscalizações. Os equipamentos eletrônicos auxiliam no controle do tráfego, "mas apesar de tudo isso ainda falta fiscalização", diz Ivanise. "O mais importante é a conscientização dos motoristas e depois a fiscalização", afirma.
Violência
Ivanise Rotta explica que a caracterização de uma via como violenta é o número de mortes ocorridas no local. Em Campo Grande, a campeã de mortes é a avenida Fábio Zahran com três vítimas fatais neste ano. Entre as que podem ser consideradas mais violentas, estão também a Gury Marques, Ernesto Geisel, rua da Divisão e Duque de Caxias aparecem na lista, com duas mortes cada uma.
Matéria publicada pelo Correio do Estado na quinta-feira (22), apontou que a cada dois dias uma pessoa morre vítima de acidente de trânsito em Campo Grande. Segundo a Agetran, entre o dia 11 de maio e 21 de setembro, 66 pessoas morreram em colisões ou atropelamentos na Capital. Deste total, 41 vítimas são motociclistas ou passageiros de motocicletas. O número é superior ao registrado no mesmo período do ano passado, apesar de a comparação não poder ser feita. Isso ocorre porque, a partir de 11 de maio de 2011, por orientação do Organização das Nações Unidas (ONU), começaram a ser contabilizados os óbitos de pessoas internadas em decorrência de acidentes. O controle é feito num período de até 30 dias após a internação.