"Totalmente frio", foi assim que a titular da Delegacia Especializada em Atendimento à Infância e a Juventude (Deaij), Maria de Lourdes Souza Cano, descreveu o assassino em série, que vitimou três pessoas em 2008, na cidade de Rio Brilhante. O assassino ficou conhecido como 'Maníaco da Cruz' e o caso ficou três meses sob responsabilidade da delegacia local, mas depois passou a ser investigado pela Deaij, ocasião em que foi solucionado.
Três anos depois de atuar no episódio de grande repercussão, a delegada acredita que o assassino não se arrepende do que fez.
"Na concepção dele, ele não estava fazendo nada de errado, mas sim um bem para a sociedade por tirar do mundo cristão pessoas que não mereciam estar nele", explicou a delegada, contando que em certa ocasião o autor chegou a dizer que não sabia a razão pela qual a mãe de uma das vítimas estava brava porque ele havia feito um bem a ela: o de matar sua filha.
Para a titular da Deaij a situação do rapaz que deve deixar a Unidade Educacional de Internação (Unei) Mitai, de Ponta Porã, nos próximos dias é de extrema delicadeza e, por esta razão, deveria ser analisado por especialistas para que somente depois seja decidido seu retorno ou não para a sociedade.
Perfil
A delegada descreveu um dos alvos de sua investigação em 2008 como um adolescente que gostava de ficar sozinho, mas que tinha facilidade em conquistar pessoas e trazê-las para próximo de si, mantendo-as submissas. Maria de Lourdes destacou que ele se demonstrava diferente não só pela falta de arrependimento, mas também por trilhar um caminho e adotá-lo como certo. À época, o jovem idolatrava o maníaco do parque – como ficou conhecido o motoboy Francisco Assis Pereira, assassino em série que estuprou, torturou e matou seis mulheres e atacou outras nove em 1998, no Parque do Estado, em São Paulo –, o número 666, que acordo com a crença cristã representa o número da Besta e o boneco chucky, do filme Brinquedo Assassino.
"Ele disse que eu tinha atrapalhado a carreira dele porque em pouco tempo ele havia matado mais pessoas que o maníaco do parque, se comparado o tempo com a quantidade de mortes", revelou a delegada, relembrando que o autor costumava vestir roupas pretas, usava fortes pinturas nos olhos e um de seus maiores prazeres era frequentar o cemitério municipal, inclusive durante o dia.
Já o quarto do maníaco foi descrito como "horripilante". Nele a polícia encontrou uma faca e um canivete usados para matar, além dos pertences das vítimas. Após o assassinato, ele levava as roupas das pessoas para que a polícia não identificasse nelas suas digitais. Luvas também eram usadas durante os crimes. "Ele era muito detalhista, inteligente e rápido para calcular, mas infelizmente não usou essa inteligência para fazer o bem", ressaltou Maria de Lourdes, frisando que ele guardava edições de jornais que noticiavam seus crimes. "Ele achava a repercussão o máximo", garantiu.
Omissão
Os amigos do garoto eram seus seguidores e foram omissos porque sabiam das mortes e não o denunciaram. Pelo contrário, incentivavam dizendo que o autor já estava se tornando um profissional na arte de matar. Para Maria de Lourdes, o número de vítimas poderia ter sido muito maior porque alguns crimes não se concretizaram porque durante as perseguições as pessoas entravam em ruas iluminadas.
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