Cidades

PREFEREM A CARREIRA

Segundo pesquisa, 14% das brasileiras não querem ser mães

Segundo pesquisa, 14% das brasileiras não querem ser mães

Redação

04/10/2011 - 05h00
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Quando a menina brinca com a boneca, não é só uma brincadeira inocente que é enxergada: ela está treinando para ser mãe. Depois, vem a adolescência, a primeira menstruação e mais uma vez a maternidade aparece: "você já pode ficar grávida", alertam os pais e os médicos. Vem o primeiro beijo, a primeira transa e os métodos contraceptivos. Mesmo que a gravidez não esteja nos planos naquele momento, é necessário pensar nela até para evitá-la.

A mulher carrega consigo o dom de ser mãe, de poder gerar uma criança. E isto não é só um dom, é uma responsabilidade que segue para a vida toda. A beleza de ser mãe (e as dificuldades) é alardeada por todos os cantos. Para a mulher é quase uma obrigação ser mãe. Mas e se você não quer ter filhos?

"Ser mãe é a expressão de um desejo e é preciso respeitar o desejo de ter ou não ter filhos", afirmou a psicanalista e professora do Departamento de Psicologia da USP, Dra. Belinda Mandelbaun.

Segundo as estatísticas da última pesquisa do IBGE, em 2010, 14% das mulheres brasileiras não têm planos de engravidar. Na pesquisa anterior, a porcentagem era de 10%. Além disso, o Censo mostra que as mulheres com mais instrução (mais de 7 anos de estudo) estão sendo mães mais tarde, depois dos 30 anos, e a média de filhos por mulher diminuiu drasticamente - de 6,1 para 1,9 nos últimos 50 anos.

Fato que a inserção da mulher no mercado de trabalho e a mudança de papel que isto gerou, tem adiado o desejo de ter um filho e até excluído esta vontade. "Surgem outras prioridades que acabam se tornando impedimentos. Não acredito em mulheres malabaristas que tem um trabalho, três filhos, um marido (o quarto filho), sogra, cunhados, cachorro, só frequentam festas infantis, parquinhos e dizem que são plenamente felizes.

Não quero dizer que seja impossível, mas lá no fundo surge um vazio. O vazio de ser você mesma e não ter tantas pessoas dependendo só de você. Isso exige que você tenha muita, mas muita disposição pra empreitada", afirma Kátia dos Anjos, de 37 anos, que optou por não ter filhos.

Encaixar um filho na rotina da mulher de hoje é um desafio. Segundo a psicóloga Dra. Margareth dos Reis, a mudança do papel da mulher na sociedade trouxe esta possibilidade de escolha.

"É uma conquista do sexo feminino. Hoje em dia, ela tem métodos contraceptivos diversos e a opção de querer ou não ter filhos. Por outro lado, acredito também que muitas mulheres adiam o sonho de ser de mãe em virtude desta rotina, dessa sobrecarga que existe atualmente. Há a dificuldade de encaixar um filho nisso tudo", afirmou.

A carreira profissional, muitas vezes, fica em primeiro plano na vida das mulheres. Porém, para quem tem a vontade de ser mãe, não costuma ser impeditivo. Em seu livro Mulheres de sucesso querem poder...amar, Joyce Moysés fala a respeito da integração da vida profissional com a pessoal. Além de dar dicas sobre relacionamentos, ela cita mulheres que desejam a maternidade, mas acabam adiando e perdem para o relógio biológico. "A mulher pode se organizar para isso e ter uma família para qual voltar depois da longa jornada de trabalho", disse a escritora e jornalista.

O relógio biológico é sinônimo de fertilidade. Ao longo dos anos, após a primeira menstruação, a produção de óvulos vai diminuindo e as dificuldades para engravidar aumentam. Para a medicina, este processo começa por volta dos 30 anos.

"Todo mundo me dizia que quando eu fizesse 30 ia sentir a pressão do relógio biológico. Estou com 32 e não senti nada disso ainda. A maioria dos meus ex-namorados também não queria filhos, então acho que isso facilitou. Também não sofro pressão da família porque acho que desde os 13 anos eu digo que não penso em ter filho, então todos acostumaram", conta Flávia Faccini, de 32 anos.

Estar com uma pessoa que tem o mesmo ideal, como aconteceu com Flávia, ajuda a sedimentar a decisão. Mas se o parceiro insiste, mesmo contra a vontade da mulher? "Isso é uma coisa que deve ser conversada desde o início do relacionamento para que o outro tenha noção do que esperar. Eventualmente, esta vontade pode mudar. Mas a mulher não deve se sentir pressionada a fazer algo que ela não quer. O respeito deve vir acima de tudo", aconselha a Dra. Belinda.
 

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