A Polícia Militar divulgou hoje pela manhã uma nota de esclarecimento sobre a ocorrência envolvendo um policial militar da Companhia Independente de Gerenciamento de Crises e Operações Especiais (Cigcoe) na noite de ontem (10), por volta das 20h, no Bairro Cophatrabalho. Segundo registro policial, três pessoas foram autuadas para depoimento e uma delas foi atingida por um disparo de arma de fogo do policial.
De acordo com o Comando Geral da Polícia Militar o que consta no Boletim de Ocorrência tratou-se de uma tentativa de roubo ocorrido nas proximidades da Avenida Florestal no Bairro Cophatrabalho, por onde o policial militar da Cigcoe em serviço, de posse de uma viatura uno descaracterizada, deslocava-se ao Bairro Zé Pereira. Na ocasião três indivíduos em um veículo Gol tentaram fazê-lo parar, emparelhando o carro com a viatura policial, forçando a parada.
O policial já desembarcou de posse da pistola, anunciando que era PM e dando ordem de parada. Neste momento, segundo consta no boletim de ocorrência, apenas dois dos três ocupantes do Gol teriam saída do carro e o que permaneceu no interior do veículo teria feito um gesto que levou o PM a interpretar que este lhe apontaria uma arma, ocasião em que desferiu contra o mesmo um único disparo, vindo a atingí-lo. Diante disso os outros dois entraram correndo no carro e tentaram fugir.
Ainda de acordo com o relato do policial, os três saíram em disparada pelas ruas do bairro, sendo seguidos pelo policial militar da Cigcoe por cerca de 10 minutos, até que resolveram se entregar parando no pelotão da PM da Cophatrabalho. Lá eles foram identificados e presos e o ferido encaminhado à Santa Casa, sob custódia da PM.
Dos três envolvidos na ocorrência, um tinha passagem por roubo e furto e outro tinha mandado de prisão em aberto, além de apresentar documentação falsa no momento da abordagem policial. Com nenhum dos três foi localizada arma de fogo.
Segunda versão
De acordo com informações do delegado Divino Furtado Mendonça da Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac/Centro), os três envolvidos na ocorrência são Luiz Carlos Dias de Almeida, de 24 anos, que conduzia o Gol, Obadias Vianna Rodrigues, de 27 anos, e Thalys Wanderson Hormumg Lima, de 24 anos, que foi atingido pelo policial militar, que não teve o nome divulgado.
Foi relatado pelos três envolvidos, que ouve uma pequena discussão no trânsito devido uma leve colisão que teria ocorrido entre o Gol e veículo Uno conduzido pelo PM, e que ninguém teria descido do carro.
Contrariando o depoimento do PM, foi confirmado pelos três que estavam no Gol, que o policial não se identificou como militar, e que não deu tempo para eles entrassem em um acordo referente a colisão. Além disso eles afirma que o PM já disparou sem motivo.
No momento em que Thalys foi atingido ele avisou seus amigos e pediu para que o levassem a um posto de saúde.
“Em momento algum a gente pensou que fosse policial”, conta Thalys sofre o disparo. Thalys também relatou que o policial começou a persegui-los de carro. Foi então que eles pararam no Posto Policial da região do Cophatrabalho. “Que bandido que iria querer roubar e depois iria pedir abrigo para um posto policial”, esclarece Thalys.
De acordo com o relato do policial, ele teria visto gestos de Thalys sacando uma arma, porém em revista no veículo Gol e nos acusados não foi encontrado nenhuma arma.
A princípio o delegado Divino Furtado Mendonça registrou o caso como tentativa de roubo, porém, fez observações relaxando o caso, deixando em liberdade Thalys e Obadias, prendendo apenas Luiz Carlos, por estar fugitivo desde de julho de 2011.
Procedimentos
O Comando da PM determinará a instauração de procedimento administrativo pela Corregedoria a fim de levantar as circunstâncias do fato e a investigação correrá por conta da Polícia Civil.
Como é de praxe a arma do policial foi recolhida até o término das investigações e o PM por força da Portaria nº 005 da Instituição será afastado de suas funções e encaminhado à atendimento psicossocial.
Atingido
Thalys Wanderson Hormumg Lima, de 24 anos, que foi atingido já recebeu alta do Hospital da Santa Casa e terá que fazer cirurgia para retirar o projétil que está alojado próximo ao quadril.