Lego, pacman, bichinho virtual, tv colosso, ursinhos carinhosos, tartarugas ninjas, paquitas, chocolate da turma da Mônica... Nostalgia! Cada infância tem seus ícones e lembranças inesquecíveis, mas todas tem a brincadeira como ponto comum. Mesmo com toda tecnologia de hoje, dois gravetos viram “hominhos” não mão de criança de verdade. E existe criança que não é de verdade? Infelizmente, sim.
A rotina forçada, com muitos compromissos e limitações impede as crianças de desenvolverem a liberdade e a criatividade. Por isso, muitas escolas e espaços alternativos vêm trabalhando a arte-educação, uma espécie de retomada da infância no sentido mais real. “A ideia é trabalhar a liberdade da criança, sem sala de aula, ensinando ao ar livre, descalço, para brincar na terra e na grama, ter contato direto com as coisas naturais. Isso é uma vivência inesquecível para muitos, porque não são todos que têm contato com um quintal”, aponta a diretora teatral Ramona Rodrigues, 40 anos, que desde os 16 desenvolve trabalhos artísticos. Ela é arte-educadora no “Espaço Imaginário”, um centro de cultura da infância que começou a funcionar em Campo Grande no início de 2011 com a proposta de reintegração entre infância, natureza e brincadeiras.
Integrar arte e educação não é uma ideia nova, mas tem sido o novo olhar com que as políticas públicas procuram trabalhar. Um ponto essencial é a reciclagem do conceito de avaliação, que não deveria ser vista de forma classificatória e sim como progressão do aprendizado contínuo. “Nada de concursos, prêmios e primeiro lugar. Temos que motivar as crianças para que continuem criando e produzindo. A ideia não é competir para ser melhor que o outro, ela tem que querer ser melhor que ela mesma”, reforça a arte-educadora Lais Dória, que, em julho deste ano, representou o Estado em uma mesa de debates do I Encontro Nacional Cultura e Infância, realizado no Rio de Janeiro pelo Ministério da Cultura, por meio da Secretaria de Cidadania Cultural.
Novo método
Na ocasião, foram discutidas novas políticas para o ensino e a integração da cultura como cerne do processo. O movimento se desenvolve segmentadamente: cada estado e cidade repensa a educação como um todo, tentando se livrar da forma numérica como é encarada a aprendizagem dos alunos.
Democratizar o acesso à leitura é a forma mais simples e efetiva que os profissionais da educação encontraram para trazer de volta características “infantis”, como a curiosidade pelo saber. “Nesse encontro o Ziraldo mostrou um método interessante: ele dá um diário para a criança e pede para que ela escreva todo dia qualquer coisa sobre o que quiser, não tem tarefa. Assim, ela se interessa sozinha por leituras e escritas”, conta Lais, que hoje aplica o método na Casa de Ensaio, uma escola de arte educação que existe em Campo Grande há 15 anos.
Outro ponto importante é não confundir a atividade lúdica com a falta de responsabilidade. “Qualquer trabalho tem que ter os dois: prazer e compromisso”, afirma Lais. “A partir do momento que você pratica algo que já estudou ou estuda algo que acabou de praticar, a vivência e o aprendizado se ampliam. Temos que integrar a teoria com a prática”, acrescenta a diretora Ramona Rodrigues.
Para lembrar dos momentos antes do merecido sono após as brincadeiras e o almoço, veja um vídeo de alguns programas que marcaram os anos 80 e 90: