Cynthia Carvalho Martins, acusada de mandar matar o ex-marido em 2006, foi condenada há 15 anos de reclusão em regime fechado. A sentença foi dada pelo juiz Aluízio Pereira dos Santos na tarde desta sexta-feira (21), no 2º Tribunal do Júri de Campo Grande (MS).
As investigações feitas pela Polícia Civil na época do crime apontaram que com a morte do ex-marido, ela pretendia receber o seguro de vida da vítima, avaliado em R$ 150 mil, além de tornar-se inventariante de um areeiro.
A testemunha arrolada pela defesa, Altimar César Queiroz, que trabalhou por cerca de 2 anos com a vítima, prestou depoimento no tribunal. Ele presenciou diversas discussões da vítima com desafetos, inclusive com um namorado da ex-esposa.
Cynthia respondeu às perguntas feitas pelo juiz calmamente, onde revelou, com poucos detalhes, o que ocorreu no dia do crime. Segundo ela, uma televisão que mostra imagens da câmera de segurança da residência exibiu a caminhonete do ex-marido em frente ao portão.
“Fui até o portão com minha filha e vi apenas a cabeça do Alci para fora da caminhonete. Naquele momento não sabia o que tinha acontecido com ele”, revela calmamente Cynthia, dizendo ainda que não ligou solicitando o socorro pois o vizinho já havia o feito.
A promotoria alega que a ré mantinha muito contato com o advogado Gilson Gomes da Costa, que já foi julgado e absolvido. Ele era acusado de ser o elo entre Cynthia e os executores do crime. A ré alega que, apesar de falar todos os dias com o advogado, a relação era estritamente profissional.
Outro ponto questionado pela promotoria foi o fato de que Cynthia manteve diversos relacionamentos amorosos, inclusive no período em que estava casada com a vítima. Um teste de paternidade chegou a ser feito pela ré com três homens, comprovando que o filho não era de Alci.
Os outros envolvidos no crime já foram julgados. Carlos Vieira foi condenado a 9 anos e 18 meses por ter emprestado a moto usada pelos pistoleiros no crime. João Batista, o homem responsável por contratar os pistoleiros, foi condenado a 16 anos e 6 meses de prisão. Os pistoleiros André Lima Silva e Carlos Ximenes Paiva pegaram respectivamente 16 anos e 6 meses e 18 anos de prisão.
Morte do Empresário
O assassinato ocorreu na manhã de 26 de outubro de 2006, no momento em que Alci estava no interior de sua caminhonete, uma S10, estacionada em frente a casa da ex-mulher Cynthia, na Rua Passos, Bairro São Francisco. Ele esperava para levar a filha na escola, quando uma moto conduzida por André se aproximou e Carlos, o garupa, atirou contra a vítima.
A polícia concluiu que a mulher contratou o advogado Gilson Gomes da Costa, que intermediou as negociações entre ela e o agenciador João Batista, mais conhecido como João Quintura. Este, por sua vez, providenciou uma motocicleta e um revólver para que André e Carlos executassem o serviço. Cada pistoleiro recebeu R$ 5 mil pelo crime.