Desinformação por parte da população e desencontro de orientações dadas por funcionários da Prefeitura de Campo Grande têm provocado, diariamente, fila em frente à sede da Secretaria Municipal de Políticas e Ações Sociais e Cidadania (SAS), na Rua dos Barbosas, no Bairro Amambaí, em Campo Grande. No local, pessoas que desejam fazer o Cadastro Único do Governo Fderal (necessário para solicitação do Bolsa Família), emitir o Número de Identificação Social (NIS) para renovar o cadastro na Emha, dentre outros serviços, passam a madrugada em claro ou dormindo no chão à espera de senha para atendimento.
Quatro quilômetros de caminhada pelas ruas que vão da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), na saída de São Paulo, até a Rua dos Barbosas, 321, no Bairro Amambaí. A saga de Valquíria Gomes, 33 anos, começou nas Moreninhas por volta das 23h quando pegou o último ônibus rumo ao local mais próximo que conseguiu chegar da SAS – Secretaria Municipal de Políticas e Ações Sociais e Cidadania.
Ela chegou meia-noite e conseguiu pegar a primeira das 60 senhas para atendimento. Porém, às 8h30min ainda não havia sido atendida. “Eu vim incluir um parente no Bolsa Família. Esse é o terceiro dia de trabalho que perco para vir aqui, uma vez cheguei tarde, outra faltou uns documentos e agora estou esperando acabar o atendimento preferencial e acho que vai dar certo”, conta - sonolenta - a costureira Valquíria.
Foto: Valdenir Rezende

Fila de espera às 5h em frente ao SAS já ocupava metade das vagas disponíveis
O local funciona das 7h às 17h, porém o atendimento das 60 senhas só acontece pela manhã, pelas seis atendentes que trabalham no local. Durante a tarde é feita a digitação dos processos de: vale transporte, frente emergencial de desemprego, Bolsa Família, bilhete do idoso e os chamados benefícios eventuais de segurança alimentar, auxílio natalidade, auxílio funeral e auxílio documento, conforme consta no site da prefeitura de Campo Grande.
Estrutura
Existem outras unidades de atendimento nos bairros mais afastados, mas segundo depoimento de moradora do Jardim Itália, são apenas cinco senhas diárias. “Eu cheguei aqui às 4h, fiquei sentada na calçada esperando e deixei meus filhos sozinhos em casa. Não tem outro jeito. Lá no bairro tem onde fazer o cadastro, mas são cinco senhas por dia só”, expõe Neuraci Sousa, 38 anos.
Outras pessoas que aguardavam atendimento sugeriram a criação de um atendimento separado para idosos, gestantes e deficientes físicos, pois da forma como é feito atualmente, atrapalharia o andamento das senhas de quem chegou de madrugada. “É uma falta de respeito com quem se sacrificou pra chegar de madrugada, esperou na rua. Tem que ter atendimento preferencial, mas não assim, porque aí chega o horário de almoço eles falam que não tem mais como atender a gente que esperou desde cedo”, comenta Juveliana Santos Alves, assentada do Estrela Jaraguari e trabalhadora da Escola Rural.
Desnecessário
O secretário municipal de Governo, Rodrigo Aquino, fez questão de ressaltar que não há necessidade de as pessoas dormirem no local, pois as senhas são suficientes para atender a demanda do dia. "Está havendo uma correria desnecessária. Quem não tem benefício do Governo não precisa retirar o NIS. Até mesmo para se inscrever na Emha não existe essa necessidade. O número só é solicitado quando a pessoa é selecionada", salientou Rodrigo.
Ele explicou ainda que não existe condições de aumentar o atendimento, pois o formulário a ser preenchido para o Programa Bolsa Família, por exemplo, é enviado pelo Governo Federal e, segundo ele, necessita de pelo menos 45 minutos para ser finalizado.
'As pessoas recebem uma informação errada e passam adiante', diz secretária
A secretária adjunta de assistência Social, Nilva Santos, afirma que a fila em frente à sede da Secretaria Municipal de Políticas e Ações Sociais e Cidadania (SAS) tem ocorrido por conta de confusão da população. "As pessoas recebem uma informação errada e passam adiante. Isso é que tem gerado essa fila em frente à sede. Muitas pessoas que chegam aqui acreditam que é obrigatório fazer o cadastro único mesmo sem a necessidade de estar inserido em algum benefício do Governo Federal como por exemplo, o Bolsa Família", salientou.
Segundo ela, o atendimento para fazer o Cadastro Único dos Programas Sociais do Governo Federal – Cad-único – não é feito somente na sede da SAS, mas em outros 23 pontos distribuídos pela Capital. "Além da sede, a população conta ainda com 19 Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), 3 Unidades Descentralizadas da Assistência Social (Unidas) e no Centro Especializado de Proteção à Criança e ao Adolescente (Cepac).
Explicações
Nilva explicou que o Número de Identificação Social (NIS) é exigido de pessoas que desejam obter isenção de taxa de inscrição em concurso público, de quem for selecionado no Programa do Governo Federal Minha Casa Minha VIda e também para o Programa Bolsa Família. A gestante, Leidiane Rodrigues, 24 anos, que dormiu em frente à sede da SAS é uma das vítimas de informações repassadas de forma errada até mesmo por funcionários de secretarias do Estado e Município. "Fui até a Emha e lá me disseram que para me inscrever no Programa Minha Casa Minha Vida eu teria que apresentar esse número", contou.
A secretária ressaltou que existem ainda alguns critérios para que a pessoa possa se inscrever no Cadastro Único. "Ter renda familiar de até três salários mínimos é a principal exigência e para se ter uma idéia muitas pessoas chegam aqui ganhando mais do que isso e insistem em fazer o cadastro. A informação errônea acaba difundindo bastante", enfatizou.
Atendimento
Ontem, segundo a secretária adjunta, até às 10h das 90 senhas disponíveis apenas 50 tinham sido distribuídas. "Isso indica que o atendimento ficou abaixo da nossa capacidade confirmando que não há necessidade de dormir na fila". O atendimento no local é das 7h30min às 5h de segunda-feira a sexta-feira, mas em algumas sextas-feira não há atendimento ao público para manutenção do sistema de informática.
Na sede da SAS depois de as senhas serem distribuídas há uma triagem e distribuição por setores do serviço. Além disso, idosos, gestantes e mulheres com criança de colo tem prioridade, segundo informou a secretária adjunta, Nilva Santos
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