O engenheiro Éolo Genovês Ferrari, 59 anos, não compareceu à primeira audiência do processo em que é acusado de crimes de sonegação fiscal, uso de documentos falsos e falsidade ideológica na 3ª Vara da Justiça Federal, de Campo Grande. Principal operador da Engecap, empresa que tinha R$ 11,6 milhões em contratos de obras com a prefeitura de Campo Grande em 2003, e cuja propriedade na época era de dois garis, laranjas no negócio, Éolo agora deverá comparecer perante o juiz federal Odilon de Oliveira, no próximo dia 7 de novembro, quando o magistrado tentará ouvir as testemunhas de acusação do caso.
A primeira audiência do processo, no qual Éolo e o contador Clairton Herradon respondem por sonegação, uso de documento falso e falsidade ideológica, e a gerente do Banco Rural, Liliana Scaff Fonseca, é acusada pelo Ministério Público Federal de crime contra o sistema financeiro nacional, deveria ter acontecido na última quinta-feira, dia 27. As testemunhas de acusação e advogados dos réus estiveram presentes, mas a defesa de Éolo que, intimado não compareceu à sessão sob justificativa de estar viajando a trabalho, considerou imprescindível a presença do engenheiro, e por isso uma nova audiência foi designada para a semana que vem.
Entre as testemunhas de acusação estão os garis, que desconheciam, em 2003, a movimentação milionária da Engecap no Banco Rural, empreiteira da qual eram donos.
Garis
O caso foi revelado em 26 de agosto de 2003 pelo Correio do Estado. Na ocasião, o jornal localizou os garis e funcionários da prefeitura de Campo Grande, Marcus Vinícius Brito e Paulo Isidoro Sobral, que outorgaram procuração pública a Éolo, com amplos poderes de administração. Antes dos garis, a Engecap pertencia à dois pedreiros: Mário Silva e Manoel Mendes Pereira, que também deram a Éolo os poderes para administrar a empresa.
A Engecap foi a responsável, entre outras obras, pela urbanização de fundo de vale do Córrego Bandeira e construção da Avenida Interlagos, avaliada em R$ 3,9 milhões.
Depois que o caso foi publicado pela primeira vez pelo Correio do Estado, a Receita Federal fez uma devassa na empresa e apurou uma divída com o fisco de R$ 2,2 milhões, constituída de impostos, contribuições sociais, juros e multas. A mesma investigação concluiu que milhões de reais passaram pela conta da Engecap no Banco Rural. Agência, cuja gerente-geral era Liliana Scaff Fonseca e que, conforme denunciado pelo Ministério Público Federal, escondeu estas movimentações do Banco Central do Brasil.
Na época em que o caso foi revelado, o então prefeito de Campo Grande, André Puccinelli (PMDB) e seu secretário de obras, Edson Giroto, negaram qualquer ligação com Éolo, e suspenderam todos os contratos a Engecap. Atualmente, André Puccinelli é governador do Estado, e Edson Giroto é deputado federal pelo PMDB.
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