Nascer, crescer, reproduzir, envelhecer e morrer. O ciclo da vida parece simples na teoria, mas além das dificuldades e alegrias no caminho, a última etapa é bastante difícil de aceitar. Mas para os japoneses, em sua maioria também budistas, esse processo é visto de outra maneira, cheio de rituais e naturalidades. “Desde que você nasce, a velhice, a doença e morte não tem como escapar. Para o budista é uma coisa natural, todas as coisas que vemos na Terra um dia tem um fim, assim como nós”, explica Tsuyomi Ueno, 78 anos, um dos líderes da Igreja Budista de Campo Grande.

Cemitério japonês com cerca de 500 pessoas, de uma família considerada grande

Cemitério de uma família japonesa menor, com 200 pessoas
Com a aproximação do Dia de Finados, alguns rituais japoneses já começam a aparecer. Além da limpeza dos túmulos, oferendas de comida e aniversários de morte. Porém, com a vinda para o ocidente, algumas coisas mudaram. “Antigamente era recebida a morte na casa. Hoje em dia morre no hospital, dali vai para o necrotério. Infelizmente não acontece de criança ver, por exemplo, o que é muito ruim porque já cresce achando que a morte é algo distante”, comenta Tsuyomi. Após a morte de um budista, ele recebe um novo nome, para começar a “vida eterna” como um buda.
Okinawa
Com entrevista traduzida pelo professor Jorge Gonda, o mestre da associação Nomura Ryu Okinawa, Hiroshi Gushiken, 78 anos, já foi presidente da associação Okinawa de Campo Grande e conta sobre alguns bons costumes trazidos e difundidos pela Capital.
A maior parte da colônia japonesa em Campo Grande é originária da região de Okinawa, no Japão. Esta região é conhecida por ter a maior expectativa de vida. Por conta das diferenças alimentares, principalmente, esta longevidade não foi totalmente trazida para o Brasil, mesmo assim, os japoneses têm a fama de comer bem e ter poucos problemas de saúde. “Lá a gente come muito peixe e come pouco. Aqui tem essa coisa da fartura, muita gordura e carne bovina, isso não faz bem”, comenta o mestre Hiroshi.
Moai
Outro exemplo de tradição japonesa é o 'moai', que no Japão era usado como uma forma de ajudar alguém com problemas financeiros e no Brasil... “Se tornou um jeito de pegar dinheiro emprestado sem pagar juros, desvirtuou muito”, comenta Jorge Gonda. Para o mestre Hiroshi, uma característica do povo japonês é ser solidário entre eles e por isso desenvolveram algumas maneiras de diferentes de presentear. “Tem os envelopes para cada ocasião, aniversário, casamento, velório, a gente dá dinheiro nesse envelope fechado porque aí a pessoa faz o que quiser, as vezes tá precisando, quer comprar algo ou viajar”, explica Hiroshi.