Cidades

ENSINO SUPERIOR

Evasão de indígenas em cursos chega a 40% no Estado

Evasão de indígenas em cursos chega a 40% no Estado

Redação

13/11/2011 - 00h01
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Com 292 acadêmicos indígenas matriculados no ensino superior e um programa de cotas para índios implantado desde 2003, a UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul) possui, atualmente, um índice de evasão escolar indígena em torno de 40%. O dado faz parte de um levantamento preliminar da instituição apresentado na tarde desta sexta-feira, 11/11, durante a audiência pública: Educação Superior Indígena em MS, proposta pelo deputado estadual Pedro Kemp em parceria com o projeto Rede de Saberes, e revela a realidade de pelo menos 700 estudantes indígenas de Mato Grosso do Sul.

No encontro de sexta-feira, cerca de 200 universitários índios participaram da audiência e cobraram do poder público estadual e federal políticas públicas que garantam a permanência do estudante indígena na universidade. Entre os gargalos apresentados pelos alunos está a ausência de programas de apoio institucional voltados para os acadêmicos das diversas etnias do país, diante da carência financeira das famílias indígenas.

A mãe da enfermeira Rose Mariano, da etnia Terena, emocionou a todos ao relatar as angustias pelas quais passou ao acompanhar as dificuldades da filha, que concluiu o ensino superior há dois anos. “Ela passava o dia todo com uma bala. Tudo isso para conseguir concluir o ensino superior”, disse. “Muitas vezes eu comia, sem saber se ela estava comendo”, recordou.

Prestes a concluir o curso de ciências biológicas na UEMS, Leosmar Antônio falou das dificuldades enfrentadas diariamente. “ Nós que ousamos permanecer nas universidades recorremos a todo tipo de subterfúgio para contornar as situações. Alugamos pequenos quartos em fundos de bares, locais inadequados. Dormimos no chão, tendo dificuldade com vestuário e, principalmente, alimentação”, contou.

O estudante lembrou das perspectivas depositadas pelos povos indígenas na educação. “A graduação tem sido a ferramenta que nós encontramos para transformar a realidade das comunidades indígenas”, enfatizou. “Queremos voltar para nossas comunidades e atuar com o conhecimento científico adquirido na universidade”, completa Rose Mariano.

Mato Grosso do Sul tem aproximadamente 700 acadêmicos nas universidades públicas e particulares do Estado. Não há ainda um levantamento global de percentual de universitários índios que abandonam o curso superior, no entanto, o que se sabe é que boa parte dos indígenas desiste do curso superior bem antes da concluí-lo.

O deputado estadual Pedro Kemp explicou que, com base nos relatos e sugestões da audiência, será elaborado um relatório e o texto encaminhado as autoridades competentes, dente elas a secretaria de Educação Superior do MEC (Ministério da Educação), CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e FUNAI (Fundação Nacional do Índio).

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