A mulher do ex-líder do tráfico na favela da Rocinha, Antônio Bonfim Lopes, o Nem, presta depoimento na tarde desta sexta-feira (25) na 15ª Delegacia de Polícia, na Gávea, zona sul do Rio de Janeiro. Danúbia de Souza Rangel, conhecida como “xerifa da Rocinha”, foi encontrada junto com sua irmã Telma de Souza Rangel em uma casa em cima de um salão de beleza na Rocinha por policiais do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), após denúncias anônimas.
Como ela não foi flagrada cometendo crime nem é alvo de mandado de prisão, Danúbia não foi presa. A expectativa da polícia é que ela preste informações a respeito de crimes em que Nem esteve envolvido. O traficante foi preso neste mês, dentro de um porta-malas, pela Polícia Federal quando tentava fugir da comunidade dias antes da operação de pacificação.
Danúbia foi abordada quando conversava com a mãe e a irmã. Segundo a polícia, Danúbia deixou a comunidade antes da ocupação pelas forças de segurança, no último dia 13, mas voltou para visitar a filha, que ficara com a avó. Ela aceitou o "convite" para depor e, segundo policiais, será liberada em seguida.
Os setores de inteligência das forças policiais do Rio de Janeiro tentavam descobrir a partir de denúncias anônimas o esconderijo de Danúbia. Segundo a polícia, o comando da operação "Choque de Paz", que ocupou as favelas da Rocinha, do Vidigal e da Chácara do Céu, já estava investigando outras denúncias sobre possíveis esconderijos da "xerifa da Rocinha", como ela gostava de ser chamada na comunidade.
O nome de Danúbia consta em uma investigação da Polinter, concluída em 2009, sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro do tráfico. Porém, não há mandado de prisão contra a namorada de Nem.
A "xerifa da Rocinha" era temida na comunidade por conta de seu temperamento explosivo e ciumento. Segundo moradores, Danúbia odiava ser chamada de "viúva negra" (em alusão ao fato de que ela já foi namorada de dois traficantes mortos), e teria ordenado há alguns meses o espancamento de uma jovem da favela que supostamente mencionou o apelido.
Na quinta-feira (10), quando Nem foi transferido para presídio de Bangu, Danúbia foi vista na porta da Polícia Federal, chorando, ao lado do advogado do traficante. Depois disso, ela não foi mais vista.