Ontem, o Centro de Triagem e Apoio aos Migrantes (Cetremi) recebeu 101 pessoas. Aos acolhidos, fornece três refeições diárias, banho, quarto, roupas, calçados e artigos de higiene pessoal.
Outras 60 almoçam e jantam diariamente – à exceção dos sábados e domingos – no Centro de Apoio ao Migrante (Cedami), supervisionado pelo Hospital São Julião, onde moram permanentemente 20 pessoas.
Mas nem todos procuram abrigos para passar a noite. Alessandra Serafim de Almeida, por exemplo, montou uma barraca de camping em frente à Santa Casa, no centro da cidade. A barraquinha dela tem seis cachorrinhos vira-lata que já ganharam litros de leite e ração. Alessandra, 26 anos, mineira de Araguari, e os companheiros ganham marmitex e até alguns trocados. Outros acampados já deixaram o local.
Tiritando de frio, na tarde chuvosa de terça-feira, os cãezinhos atendem à dona pelos nomes: Tyson, Estrelinha, Bethoven, Tyson Júnior, Balacobaba, Esmeralda e Fuminha.
Na Rua 13 de Maio, arredores da Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande, Alessandra é conhecida por Lulu, rainha dos trecheiros.
Já morou na rua em Presidente Prudente e Praia Grande e noutras cidades menores do interior paulista. "Eu não tenho escolha, moro aonde Deus permitir, até um barraco de madeira eu aceito."
Ao lado dela, dividindo um sofá, sob um enorme guarda-chuva, Adessio Carlos Ambrósio da Silva, 47, e Cristina Batista dos Santos, 31, também esperam a solidariedade humana. Adessio mora no Taquaral Bosque, e é conhecido de Alessandra. Cristina, mãe de cinco filhos, com o pé direito deslocado, tira da sacola desbotada uma radiografia amassada e reclama da sorte do marido, Antonio Pedro Batista, 51: "Ele está sem emprego."
Há três anos, a pesquisa do MDA revelou que os trecheiros equivalem a 0,061% da população das cidades pesquisadas; 79,6% conseguem fazer ao menos uma refeição por dia; 27,4% compram comida com seu próprio dinheiro. Dos entrevistados na época, 29,7% afirmaram ter algum problema de saúde.
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