Dez homens e três mulheres recebem no sábado o prêmio mais prestigiado do mundo por sua contribuição ao conhecimento e ao espírito humano: os Prêmios Nobel, um dos quais será entregue a título póstumo. A chamada semana dos Nobel em Estocolmo inclui um amplo programa de leituras e debates com os agraciados e que terminará com a cerimônia de entrega (com exceção do Nobel da Paz, realizado em Oslo).
Este ano, por causa de um incerto panorama econômico no Velho Continente, o Nobel de Economia buscou respostas do outro lado do Atlântico, ao premiar os americanos Thomas Sargent e Christopher Sims por "suas pesquisas empíricas sobre as causas e efeitos na macroeconomia".
O sistema imunológico foi estudado nos trabalhos de Bruce Beutler e Jules Hoffmann sobre "a ativação da imunidade inata", e de Ralph Steinman, que descobriu "a célula dendrítica e seu papel na imunidade adaptativa", o que rendeu o Nobel de Medicina. Entretanto, o prêmio de medicina entrará na memória popular por ser concedido a título póstumo. Steinman morreu três dias antes de ser divulgada a decisão da Academia, que foi mantida já que a morte só foi conhecida após o resultado.
As premiadas com o Nobel da Paz esbanjam humanidade e determinação. A presidente liberiana, Ellen Johnson-Sirleaf, e as ativistas Leymah Gbowee, da Libéria, e Tawakul Karman, do Iêmen, foram destaque por "sua luta pacífica pela segurança da mulher e pelos direitos das mulheres de participar totalmente na construção da paz".
O Nobel de Química foi concedido a um descobrimento "impossível", ou pelo menos assim considerado pela comunidade científica. O químico israelense Dan Shechtman lutou para que a existência dos "quasicristais" fosse reconhecida, o que transformou a forma de conceber a matéria sólida.
Uma atividade tão antiga quanto o homem, olhar a céu na busca de respostas valeu o Nobel de Física aos astrônomos americanos Saul Perlmutter, Brian Schmidt e Adam Riess, pelo "descobrimento da expansão acelerada do Universo através da observação de supernovas distantes".
Já a poesia ganhou espaço na figura do sueco Tomas Tranströmer, agraciado com o Nobel de Literatura por sua obra austera e concreta que "oferece imagens densas e diáfanas" além de uma "nova via de acesso ao real". Tranströmer, que em 1990 sofreu um derrame cerebral que reduziu sua fala e mobilidade, mostra em sua obra o interesse pela natureza, a música, os sonhos e o gosto pelas metáforas claras e expressivas.
Sobre o Prêmio Nobel
A premiação é concedida por méritos e até agora já foi dada 817 vezes a indivíduos e 23, a organizações. Pouquíssimos ganharam mais de uma vez - no total, foram 813 pessoas e 20 entidades.
Quando a organização entende que não há casos dignos de serem premiados, a honraria simplesmente não é entregue. O Nobel da Paz, por exemplo, já ficou sem vencedor em 20 ocasiões, especialmente nos períodos da 1ª e da 2ª Guerra Mundial. Já o prêmio de Ciência Econômicas foi concedido todos os anos desde que foi criado pelo banco central da Suécia, em 1968.