Percentual de cães infectados pela leishmaniose caiu mais de 20 pontos entre 2007 e 2010 em Campo Grande, passando de 36% para 13%, segundo informações do Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Enquanto quatro anos atrás 49.633 dos 129.536 animais existentes na Capital tiveram sorologia positiva para a doença, no ano passado 13.000 de um universo de 100 mil cães estavam infectados.
O índice deste ano ainda não está fechado, mas de acordo com a bióloga e diretora-presidente substituta do CCZ, Silvia Barbosa do Carmo, os percentuais observados nos últimos anos permitem avaliar que não há expansão da doença na cidade. "Temos casos da doença pela cidade inteira, isso nunca foi negado. O que estamos fazendo são estratégias para controlar essa doença. Não estamos em situação de emergência, nem o trabalho (de controle a leishmaniose) está sendo negligenciado", declarou.
Campo Grande começou a apresentar os primeiros casos de leishmaniose visceral em cães em 1999, passando por uma epizootia (termo que define a epidemia entre uma população animal) da doença entre 2000 e 2004. Depois disso, o município passou a ser considerado área endêmica da doença pelas autoridades de saúde.
Conforme nota técnica divulgada pela Sesau, até o ano de 2007 a Capital vivenciou "um aumento constante da positividade canina, e até aquele ano os dados eram obtidos de acordo com a demanda espontânea de cães doentes advinda da população, originando valores percentuais elevados". Nos anos de 2007, 2008 e 2009 a prefeitura passou a incluir entre as ações preconizadas pelo Ministério da Saúde no controle à doença o encoleiramento dos animais — "utilização do colar impregnado com deltametrina a 4%, disponibilizados para todos os cães do município".
Nos últimos dois anos, as ações de controle da leishmaniose visceral têm sido mantidas com a realização de borrifações nos domicílios para o controle do mosquito palha (vetor da doença) em áreas prioritárias, ações de manejo ambiental, inquérito censitário (coleta de amostras de sangue casa a casa) para diagnóstico e eutanásia de cães infectados. Os trabalhos envolvem cerca de 200 funcionários do quadro de pessoal do CCZ e Sesau.
Com 36% dos cães infectados em 2007, o índice caiu para 22% no ano seguinte, 14% em 2009 e 13% no ano passado. Para este ano, avalia Silvia do Carmo, alguns fatores deverão influenciar no percentual, entre eles a falta de kits para sorologia pelo Ministério da Saúde, situação que atingiu praticamente o País inteiro, além da não entrega de animais com diagnóstico positivo para leishmaniose.
Investigação
Neste ano, agentes do centro também coletaram exames de sangue dos animais durante a campanha de vacinação contra a raiva casa a casa, iniciada em 20 de outubro e ainda em andamento no município. Na última sexta-feira, a equipe atuou no Bairro Vida Nova, na região da saída para Cuiabá. "Estamos agora mobilizando o número de animais soropositivos (para a doença)", informou a bióloga. A expectativa é que os trabalhos sejam concluídos até o fim do ano, assim como a vacinação antirrábica, iniciada três meses após a data prevista pelo calendário normal do município por causa do atraso do Ministério da Saúde na entrega das vacinas.
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