Com a excelente média de um médico para cada 262 habitantes, Campo Grande concentra 3,2 mil profissionais, 52% do total de 5,7 mil no estado e 22,75% a mais que a soma dos profissionais em atividade em 11 regiões sul-mato-grossenses, conforme o Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (Datasus).
A estrutura hospitalar da macrorregião polarizada pela Capital (1,07 milhão de habitantes) absorve a maioria dos doentes carentes de especialistas. Aqui existe um médico para cada 307 pessoas, entretanto, nos municípios interioranos a insuficiência de especialistas é gritante
"Às vezes a promessa parece atrativa, mas quando o médico chega ao município se frustra", lamenta o presidente do Sindicato dos Médicos de Mato Grosso do Sul, Marco Antônio Leite. Nem toda promessa é cumprida, ele diz.
Mesmo atualizando o piso em R$ 9,1 mil por 20h de trabalho, a Federação Nacional dos Médicos aguarda a aprovação da carreira de estado de médico do SUS, parada no Congresso Nacional. "Só essa lei daria condições para o crescimento profissional depois de algum tempo trabalhando no interior, onde o médico se vê isolado e sem condições de participar de jornadas ou cursos", ele acredita.
"É desagradável deparar com dificuldades acarretadas pela falta de vontade política", constata Leite.
Na distribuição de profissionais por macro e microrregiões pesam na balança: 1) disponibilidade de recursos tecnológicos; 2) apoio de especialistas; 3) isolamento social; 4) sobrecarga de trabalho; 5) e expansão de novos serviços no SUS.
Na fronteira
Na fronteira brasileira com o Paraguai, cada um dos 211 médicos deveria atender em média a 888 pessoas. A macrorregião – Coronel Sapucaia, Paranhos, Ponta Porã, Sete Quedas e Tacuru – tem 178,4 mil habitantes.
Em Guia Lopes da Laguna, Jardim e Porto Murtinho (98,2 mil), onde há 136 médicos, cada um atenderia 133 pessoas. Ponta Porã (77,8 mil) reúne 77 médicos, um para cada grupo de 1.011. Aral Moreira e Coronel Sapucaia tem, juntas, 24,2 mil habitantes; cada um dos 15 médicos uma assumiria clientela de 3,1 mil pessoas. Em Santa Rita do Rio Pardo (7,2 mil) também há sobrecarga: três médicos acumulam a média de 2,4 mil pessoas.
No Pantanal, Miranda (25,6mil) tem 12 médicos, um para cada 2,1 mil pessoas, enquanto Aquidauana (45,6 mil) reúne 116, um para 393 pessoas.
Em Jaraguari (6,3 mil), na BR-163, cada um dos três médicos atenderia a 2,1 mil habitantes. Sonora (14,8 mil): um médico para cada 2,4 mil.
Corumbá e Ladário (123,4 mil) a média é de um para cada 667. As duas cidades contam com 185 profissionais.
Se Dourados (196 mil) tem 545 médicos, a vizinha Vicentina (5,9mil) é atendida somente por dois. O acúmulo supera a dois mil indivíduos para cada um.