Último remanescente da República de Mato Grosso do Sul - grupo que assim ficou conhecido por ser formado por ex-integrantes do serviço público no Estado -, o corumbaense e atual prefeito de Campinas, Demétrio Vilagra (PT), foi cassado no fim da noite desta quarta-feira (21) pela Câmara Municipal.
Foram 29 votos a favor da cassação e 4 contra. A sessão durou mais de 36 horas. Vilagra é o segundo prefeito cassado em cerca de quatro meses na cidade.
O processo de cassação começou a ser discutido na terça-feira (20). O relatório continha 1.400 páginas. Vilagra era vice do prefeito, o também corumbaense Hélio de Oliveira Santos (PDT) cassado em agosto pela Câmara Municipal por irregularidades.
Vilagra é acusado de quebra de decoro. Segundo o relatório, ele não impediu um esquema de corrupção na Sanasa, empresa municipal de saneamento - que era comandada pelo ex- vereador de Campo Grande e ex-presidente da Empresa de Saneamento de Mato Grosso do Sul (Sanesul), Aurélio Cance -, nas sete vezes em que assumiu a Prefeitura no lugar de Hélio.
'Atentado à democracia'
Após a decisão pela cassação, Vilagra disse que pretende recorrer à Justiça. "Isso é um atentado à democracia e ao Estado democrático de direito", disse o prefeito, segundo sua assessoria de imprensa.
De acordo com a assessoria, já tramitam na Justiça cinco ações em defesa da manutenção do prefeito no cargo. A defesa argumenta que não há provas para a cassação, que teria sido baseada apenas em um depoimento.