Sentada na cadeira de rodas, mostra um problema ósseo nos joelhos. "Não me casei, não tenho filhos, mas sou tia-avó de muitos, viu?" – ela diz, com graça. "São mais de dez."
"Presente de Natal? Saúde, quem não quer? O que me quiserem dar, eu aceito."
Rosa Pereira Gonçalves, 74, conta que durante a sua juventude cuidou de cinco irmãos e três irmãs, enquanto o pai colhia café na terra vermelha de Chavantes (SP). Sem a chance de ir à escola, lembra-se de que aprendeu com o pai, Aguinelo Gonçalves, "a contar dinheiro e saber a hora no relógio."
Com glaucoma, aplica colírio nos olhos três vezes ao dia. Corpo franzino, encostada à parede da ala feminina, responde a tudo o que lhe perguntamos. "Quando eu era mocinha, não conheci cinema, mas rodava nos bailes; ainda rodo!" Ao seu lado, padre Oralino confirma que ela participa de todas as comemorações e dança bem. Rosa já saiu do asilo duas vezes, mas o elogia: "É o recurso para as pessoas idosas" Voltou há dois anos e quatro meses.
Dos seis filhos, Marcos Ferreira Gonçalves, 50, mora em Campo Grande e a visita. "Coitado, ele caiu da árvore e quebrou a coluna", lamenta.
"O que espero do natal? Saúde, paz e alegria." A maioria dos internos é cadeirante, com olhares distantes. As exceções facilmente se destacam. Olhe ali o Tadao cruzando o canteiro de flores amarelas perto da mangueira gigantesca! Ele mantém essa rotina desde as primeiras horas da manhã. É um maratonista sem título e sem limites de distância.
O japonês magro, calado e sempre com algum objeto às mãos – caderno, caneta, lápis ou papel – caminha pelo terreno com o qual se familiarizou desde o final do século passado.
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