O estudante Willian Cardeal, de 17 anos, que obteve nota máxima na redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2011, torce para que a Justiça não aceite o pedido do Ministério Público Federal (MPF) do Ceará de desconsiderar a pontuação obtida na dissertação para a escolha de candidatos por meio do Sistema de Seleção Uinificada (Sisu).
O MPF argumenta que a redação é corrigida por uma metodologia diferente das provas objetivas e por isso as notas não poderiam ser combinadas.
Wlliam, que tirou nota 1 mil na redação, vai pleitear vaga na graduação em Engenharia Civil da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. Embora a nota da redação não tenha tanto peso para o curso que escolheu — para as faculdades da área de Exatas, a UFMS considera apenas a prova de Matemática peso 2, o restante das provas tem peso 1 —, ele acredita ser um diferencial ele ter se saído bem na redação. “Não acho que se cancelarem a nota da redação vou ser tão prejudicado, mas acho difícil que isso aconteça. Eles querem mudar as regras em cima da hora”.
O estudante também foi bem nas provas objetivas. Ele acertou 150 das 180 questões do Enem. No teste de Matemática, a pontuação de Willian foi 820, próximo da maior nota obtida no Brasil, 953.
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Com o tema: “Viver em redes, os limites entre o privado e público”, a redação supreendeu muitos, mas foi um prato cheio para o estudante campo-grandense. “O importante para tirar boas notas em redação é a interpessoalidade, ou seja, a capacidade que você tem de relacionar o tema com outros assuntos e desenvolver racioncínios em cima disso”, destaca.
Para se ter uma ideia de como o aluno nota mil em redação do Enem montou sua argumentação, até princípios de Eletromagnetismo foram citados. O risco no tema deste ano, segundo Willian, era restringir muito o conteúdo e fechar o assunto. “Alguns amigos meus que não foram tão bem tem algo em comum. Eles limitaram-se muito na argumentação. Teve gente que só falou de rede social, ou então colocou aquilo que todo mundo já sabe”, aponta.
A preparação para o Enem envolveu não só os estudos em sala de aula convencional, mas leitura de jornais e revistas, o que lhe deu, capacidade de estar atualizado sobre os temas atuais e as considerações que pesquisadores e estudiosos fazem acerca desses assuntos em análises jornalísticas. “Meu filho sempre foi muito focado. Direcionou todas as forças para os estudos”, disse orgulhoso, o pai do estudante, Celso Cardeal.