Cidades

MATO GROSSO

Terreno em avenida é retrato do abandono

Terreno em avenida é retrato do abandono

Redação

07/01/2012 - 00h04
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O terreno que abrigou até meados da década de 90 o centro administrativo da Cúria Metropolitana da Arquidiocese de Campo Grande, no cruzamento da Rua Rui Barbosa com a Avenida Mato Grosso, transformou-se em sinônimo de abandono e está tomado pelo mato, servindo de depósito de lixo e também de ponto de parada para andarilhos e moradores de rua. A falta de muro contribui para conferir um aspecto ainda mais degradado ao local, que aguarda interessados em alugar o lote, com área de 1.248 metros quadrados.

Segundo trabalhadores de estabelecimentos próximos ao local, o terreno seria de propriedade de três médicos e passa por limpeza periódica, mesmo assim a medida é insuficiente para acabar com o mau aspecto do ponto. “Já limparam umas cinco vezes ou mais, mas com a chuva e como não tem nada construído ali, brota o mato tudo de novo. O certo seria fechar o terreno. Se deixar assim, quem vai querer alugar?”, comentou o mototaxista Ronaldo Ferreira Dias, de 39 anos.

Há quatro anos com uma lanchonete na região, a comerciante Jaci Vera Cruz, de 40 anos, tem a mesma opinião. “Ali é o sanitário dos andarilhos”, disse, resumindo a principal utilidade do terreno atualmente.

Desde que assumiu o ponto comercial na região, Jaci e sua família recordam-se de pelo menos duas limpezas terem acontecido no terreno. Em certa ocasião, alguém não identificado decidiu atear fogo ao mato para acabar com o matagal, gerando muita fumaça e sujeira na vizinhança. “Demora um pouco, mas limpam. Só que deveriam cuidar melhor, por ser uma área central, próxima de comércio, hospital”, completou o marido da comerciante, Francisco Lira, de 48 anos.

História
O terreno que hoje é motivo de preocupação para a vizinhança foi de propriedade da Arquidiocese de Campo Grande até a década de 90, sediando o centro administrativo da Cúria, onde funcionavam as pastorais. Segundo informações do responsável pelo arquivo da Cúria Metropolitana, padre Orlando Boeira Cáceres, o local foi o segundo endereço da Cúria (o primeiro ponto ficava situado no cruzamento das ruas Dom Aquino e Rui Barbosa), até ser transferido para o endereço atual, na Rua Amando de Oliveira, Bairro Amambaí, em 1996. Posteriomente, o imóvel foi vendido para particulares e a edificação ali existente foi demolida.

Ontem, enquanto aguardava para retornar para casa em um ponto de ônibus situado em frente ao terreno, Lucila Nogueira da Silva, de 77 anos, compartilhou com a reportagem suas lembranças da época em que o local ainda abrigava as atividades da Cúria. Ela contou que entrou como aluna e poucos meses depois tornou-se professora de bordado em linha “varicor” para 15 alunas, atuando em um dos diversos cursos e atividades oferecidos para a comunidade. “Havia distribuiçoão de mantimentos, aulas de corte e costura. Eu mesma já dei aula, no tempo em que tinha casa aqui, e agora está esse matão, desse jeito. Dentro da cidade, fica muito feio. Ao menos teria que estar limpo”, comentou.

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