A Rússia disse nesta segunda-feira que bloqueará um esboço de resolução do Conselho de Segurança da ONU reivindicando a transferência de poder na Síria pelo fato de "deixar aberta a possibilidade de uma intervenção" nas questões internas do país árabes. Os EUA, o Reino Unido e a França vêm defendendo um esboço de texto da Liga Árabe, que pede que o presidente Bashar al-Assad entregue o poder a seu vice e permita a criação de um governo de unidade dentro de dois meses. Damasco rejeitou a proposta no dia 23.
De acordo com a Casa Branca, Assad perdeu o controle do país e "irá embora". Mas o vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia afirmou que o texto não "era equilibrado". Em Londres, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, pediu que Moscou reconsidere sua posição. "A Rússia não pode mais bloquear a ONU e oferecer cobertura para a repressão brutal do regime", disse um porta-voz de Cameron sob condição de anonimato.
Com negociações sobre a resolução previstas para começar na terça-feira, uma autoridade francesa disse que ao menos dez membros do Conselho de Segurança apoiam a medida conclamando Assad a aceitar o plano de paz da Liga Árabe. Um texto precisa do apoio de nove nações no órgão de 15 membros para ir à votação, mas ainda assim estaria sujeito ao veto de um de seus membros permanentes (EUA, China, Rússia, Reino Unido e França).
A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, e os chanceleres britânico e francês estão viajando a Nova York para pressionar pelo apoio à medida nas negociações de terça-feira. Em uma declaração, Hillary condenou a escalada de violência do regime, afirmando que o bombardeio contra áreas civis é "brutal". A Rússia insiste que não apoiará uma resolução que, assim como a da Líbia, poderia abrir caminho para uma intervenção como os bombardeios da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) contra o regime de Muamar Kadafi - que foi morto por rebeldes em 20 de outubro em uma ação que contou com o auxílio das forças ocidentais. Em vez disso, a Rússia disse nesta segunda-feira que tenta conseguir negociações em Moscou entre Damasco e a oposição.