A aliança nacional do PT com o PMDB poderá atenuar a disputa pelo governo de Mato Grosso do Sul em 2014, adiantou o presidente nacional do PT, deputado estadual Rui Falcão (SP). Em entrevista exclusiva ao Correio do Estado, ele detalhou que a campanha do senador Delcídio do Amaral (PT) na sucessão do governador André Puccinelli (PMDB) não terá ataques nem denúncias contra o candidato governista. A intenção é não fragmentar a base do governo federal para garantir a reeleição da presidente Dilma Roussef (PT).
"Será uma campanha da diferenciação de ações e dos programas de governo", explicou Rui Falcão. De acordo com ele, existe "forte desejo" da cúpula petista de fazer Delcídio governador. Contudo, devido à aliança nacional com o PMDB, a disputa será ponderada nos estados.
"A disputa local (entre PT e PMDB) haverá em vários lugares, mas não fragmenta a base da presidente Dilma", disse o presidente nacional, destacando que a estratégia do partido será realizar campanhas baseadas no plano de governo petista.
"Não haverá ataques nem denúncias porque estamos juntos no plano nacional", completou Rui Falcão sobre a postura em relação ao PMDB. No âmbito federal o partido não é apenas aliado do PT, mas integrante do governo pois ocupa a vaga de vice-presidente da República com Michel Temer (PMDB). Questionado sobre os efeitos do embate com o PMDB no Estado nas próximas eleições, o deputado preferiu não dar nenhuma previsão em relação à disputa. "Eu nem sei quem será o adversário", alegou, ignorando a pré-candidatura do prefeito Nelsinho Trad (PMDB). "Seria prematuro apontar cenários", resumiu.
Dobradinha
Mais que embate ameno, o ex-governador José Orcírio dos Santos propôs até dobradinha com o PMDB na disputa pelo governo, durante entrevista coletiva realizada no Hotel Grand Park, no último sábado (4). Ao anunciar seu retorno à política, ele declarou que o governador André Puccinelli "seria um bom senador numa chapa dessa", referindo-se à composição que será encabeçada pelo senador Delcídio.
José Orcírio chegou a fazer planos dizendo que, nesse caso, sairia candidato a deputado federal para construir forte bancada petista.
Mas, a despeito dos planos do PT nacional e do pseudo convite de José Orcírio a André, a rivalidade entre petistas e governistas no Estado se acirrou nas últimas semanas. A crise teve início com a substituição do ex-governador Marcelo Miranda — indicado pelo PMDB para a chefia da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) — pelo ex-deputado estadual Pedro Teruel (PT).
Há alguns dias, os peemedebistas começaram a articular a indicação do engenheiro civil José Luiz Vianna Ferreira para comandar a superintendência do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), cujo orçamento para este ano está estimado em meio bilhão de reais. O PT reagiu por não concordar com a indicação e declarou nova guerra ao PMDB, iniciando mais um capítulo na histórica rivalidade entre as duas legendas no Estado.