Detentos da Penitenciária máxima Harry Amorim Costa (PHAC) em Dourados passam a ganhar uma importante oportunidade. A partir de hoje eles vão trabalhar em padaria, corte e costura e no conserto de carteiras escolares. As oficinas ficam dentro da própria máxima. Nessa primeira etapa pelo menos 100 detentos serão beneficiados, mas ideia é ampliar esse número e envolver o maior número de reeducandos. Cerca de 1500 detentos encontram-se detidos em Dourados.
A iniciativa de colocar os presos para trabalhar surgiu em julho do ano passado, quando o juiz Andrade Neto assumiu em Dourados a 3ª Vara Criminal. Por meio do projeto ‘Recomeçar’, implantado por ele em fevereiro de 2009 na cidade de Paranaíba, onde era magistrado na época, Andrade Neto percebeu que por meio de parcerias era possível levar oportunidades para os detentos.
O projeto que é sucesso em Paranaíba até hoje começa com força em Dourados. Nesta terça ocorreu o lançamento na PHAC com a presença do magistrado e de representantes de órgãos de segurança, como o diretor da Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen), coronel Oliveira, do diretor de assistência penitenciária, Leonardo Arevaldo, do diretor de operações (DOP), Pedro Carrilho, entre outras autoridades.
De acordo com o diretor da PHAC, Joel Rodrigues Ferreira, o projeto vai atender, nesse primeiro momento, uma média de 100 detentos. Ele lembra que desde 2006, quando ocorreu rebelião no Dia das Mães, a PHAC deixou de executar os trabalhos de marcenaria e de empacotamento de alho. “A partir de agora vamos viver um novo tempo”, disse o diretor.
Na padaria, segundo Joel, os detentos estão passando por treinamento. São três turmas de cada 20 reeducandos. Ainda não está definido sobre a destinação dos pães, quando eles começarem a ser produzidos, mas uma das propostas é a de oferecê-los para a empresa terceirizada que entrega alimentos na PHAC.
No setor de corte e costura os trabalhos já estão em andamento, assim como no setor de recuperação de carteiras escolares. De acordo com Joel, nesse primeiro momento serão consertados as carteiras da prefeitura de Dourados, mas a proposta é a de atender outras prefeituras, futuramente.
Os reeducandos que atuam na padaria, no corte e costura e na reforma das cadeiras foram selecionados pelas habilidades nas áreas e pelo interesse de cada um. Todos passaram por psicólogos, para avaliar a aptidão e a ficha criminal.
A cada três dias de trabalho os detentos conseguem redução de um dia de pena. A carga horária é de no máximo oito horas e mínima de seis horas, conforme determina a lei. Com o andamento dos trabalhos, segundo Joel, a proposta é a de oferecer salário aos reeducandos.