O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) planeja mobilizar, a partir da próxima semana, milhares de pessoas de várias capitais brasileiras para protestar contra o atual modelo energético brasileiro e o que classificam como uma privatização da água e da energia.
“É preciso mudar o modelo energético brasileiro, pois o atual privilegia poucos, tratando a energia como um produto qualquer, e não como um bem essencial ao bem-estar da população brasileira, que paga uma das tarifas mais caras do mundo”, declarou à Agência Brasil, Joceli Andrioli, da coordenação nacional do MAB. A Jornada Nacional de Lutas foi agendada para a semana que vem em função do Dia Internacional de Luta Contra as Barragens, Pelos Rios, Pela Água e Pela Vida, na terça-feira (14).
Segundo Andrioli, estima-se que mais de 1,3 milhão de pessoas tenham sido prejudicadas pela construção de barragens e hidrelétricas brasileiras nos últimos 30 anos. “Este número, contudo, é controverso e reivindicamos ao governo um levantamento completo do problema”. Há, atualmente, 972 usinas e centrais hidrelétricas em funcionamento no país, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Já as barragens, segundo a Agência Nacional de Águas (Ana), ultrapassam 7 mil, mas apenas 958 delas foram construídas em empreendimentos de geração de energia elétrica.
Além de pressionar por mudanças no atual modelo energético, os manifestantes vão cobrar mais atenção aos atingidos. Entre as principais reivindicações do movimento estão a criação de uma política específica e de um fundo de auxílio cujos recursos seriam usados para reparar as perdas e prejuízos das pessoas afetadas pela construção de barragens, garantindo reassentamento adequado, assistência técnica, créditos e verba de manutenção.