A paz e a tranquilidade mencionadas por dona Judite Borges de Araújo, 65 anos, mulher do horticultor e Durvalino Marques de Araújo, 68, não estão em toda a parte, pelo menos ao lado do enorme matagal na divisa do Jardim Santa Felicidade com a Vila Brasil, a menos de trezentos metros da casa deles. É uma área de cerrado, com suas árvores características, e reúne alguns espécimes animais, entre os quais, cobras jararacas, lagartos teiús e escorpiões.
“Aqui é igual a uma chácara ou sítio”, comenta dona Judite, paulista de Fernandópolis, quatro filhos, sete netos. Antes de Campo Grande ela morou em Santa Fé, Urânia, Monte Castelo – cidades do interior paulista –, e na Serra da Bodoquena. Lá na frente, esticando roupas no varal, Rosilene Siqueira Cardoso, mãe de dois filhos, justifica seu temor de continuar morando ao lado do mato: o marido é areeiro – trabalha numa draga retirando areia –, passando três dias fora, enquanto ela cuida do motor-bomba da Águas Guariroba e das crianças: “Já vi uns moços aí se escondendo nesse mato, e sempre com coisa ruim.”
Assaltaram três vezes a casa de Rosilene, que mora ali há sete anos: na primeira levaram um ventilador, um liquidificador e brinquedos; na segunda, um porta CD e um aparelho DVD; e na terceira vez, a bicicleta do marido Luiz Antonio, que havia pago a última prestação no dia seis, ficando sem o veículo no dia oito, 48 horas depois. “Eu sei que eles moram perto; a gente se esforça tanto para conseguir ter alguma coisa em casa e de repente esses larápios aparecem, levando tudo”, lamenta.
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