As condições desse ambiente, hoje, são completamente ao inverso. Basta percorrer os 120 quilômetros da Estrada Parque para se constatar o contraste. Os rios não transbordaram e a seca castiga a região, como grande parte do Pantanal de Corumbá. O Abobral , que chegou a transbordar no ano passado, cruza a Estrada Parque em um filete, represando em um trecho assoreado mais a frente.
Tem peixe
As 71 pontes de madeira para vazão dos corixos estão praticamente secas, expulsando os animais que se concentram em busca de alimentos e atraem os turistas. Poucos jacarés são avistados, algumas aves sobrevoam a estrada. Alguns grupos de capivaras podem ser observados entre a Curva do Leque e o Porto da Manga. Não há movimentação do gado.
Segundo os moradores do Passo da Lontra, o nível do Rio Miranda ainda está muito baixo e passou da época de encher. “A água está barrenta, mas está dando peixe”, informa o pescador Lucas Cardoso, mostrando o freezer lotado de pintado para comercialização na Semana Santa. “Cheia igual a do ano passado eu não vi por mais de 30 anos”, conta.
Paraguai
A falta de chuvas favorece a pecuária, permitindo acesso mais fácil às fazendas. No entanto, reduz o estoque de água nos açudes e algumas propriedades já dependem dos poços artesianos para abastecimento. Os pantaneiros estão acostumados com esta sazonalidade, mas os turistas preferem o Pantanal com mais água, com a natureza em renovação.
A ocorrência da seca atual pode se medir pelo nível do Rio Paraguai na régua de Ladário, onde registra hoje 1,88 metros. Na mesma data em 2011 a altura do rio era de 4,58 metros. A Embrapa Pantanal ainda não apresentou nenhuma estimativa hidrológica, mas estima-se que o nível do Paraguai em Ladário não chegará a 4 metros.