Dois estudantes, de 14 e 17 anos, saem para namorar em um ponto de ônibus na periferia de Campo Grande e somem, misteriosamente, sem deixar pistas. A história do casal passaria em branco, se não fosse a angústia diária que renova, nas duas famílias, a esperança de que podem estar vivos e aparecer, a qualquer momento, da mesma forma que sumiram, de repente.
“Não sei nem o que passa pela minha cabeça. É tanta coisa que acontece nesse mundo, que não quero nem pensar no que aconteceu ou está acontecendo com a minha filha”, conta a dona de casa Neusa Ribeiro Lucas, 46 anos, mãe de Naiara Ribeiro Lucas, que desapareceu, na época com 17 anos, há três anos e meio, junto com o namorado, Wellington Afonso dos Santos Aguero, que tinha 14, no bairro Nova Lima, na saída para Cuiabá.
Na mesma escala que surgem casos misteriosos que abalam a sociedade e instigam a polícia, crescem os números de desaparecidos. Em 2011, houve acréscimo de 25,11% em relação ao ano anterior, de 1.115 para 1.395 desaparecimentos. Em média, em 2010, uma pessoa desaparecia em Mato Grosso do Sul a cada sete horas e 51 minutos. Este tempo caiu para seis horas e 16 minutos no ano passado. Neste ano, a média é de seis horas e cinco minutos.
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