Crianças consumindo água sem tratamento; vazamentos nas descargas e torneiras; janelas com vidros quebrados; ausência de linhas de transporte público para as escolas; alimentos armazenados em caixas de papelão, em contato direto com o chão, e próximos aos produtos de limpeza; ausência de fogão para aquecimento dos alimentos; extintores vencidos ou inexistentes; salas de aula com goteiras; alto índice de professores que atrasam ou não comparecem ao trabalho.
Os problemas foram verificados durante inspeções do Ministério Público Federal (MPF), realizadas entre novembro e dezembro de 2011 nas seis escolas públicas de Japorã (MS). Também foram inspecionados o Conselho de Alimentação Escolar (CAE) e Conselho de Acompanhamento e Controle Social do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (CACS – FUNDEB).
Uma avaliação, realizada pelo Ministério da Educação em 2009, mostrou que Japorã tinha o menor Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) entre os 28 municípios abrangidos pelo Ministério Público Federal em Dourados. A nota alcançada foi três, em uma escala de zero a dez.
Inspeção
Entre as escolas inspecionadas estão Escola Polo Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental José de Alencar, Escola Estadual Japorã, Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Porto Lindo – Mbo´e Hao Teko Gaurani Polo, Escola Extensão Sabedoria Tradicional – Arandu Porã, Escola Extensão Bom Viver II e Escola Extensão Dr. Nelson de Araújo, todas da rede pública de ensino.
As escolas indígenas Escola Sabedoria Tradicional e Escola Bom Viver II são as que se encontram em piores condições. Nelas, o número de banheiros é insuficiente, não há extintores de incêndio ou estão com prazo de validade vencido, existe depósito irregular de lixo nas proximidades da escola e não há local adequado para a refeição dos alunos. Casos de bullying, de outros tipos de violência e falta de policiamento regular nas escolas fazem parte do cenário comum na região.