O paquistanês Mufarrih Shah sempre andou de carro em seu país natal, mas agora exibe orgulhoso o novo meio de transporte que usará em Brasília: a bicicleta. Shah faz parte do grupo de cerca de 30 refugiados que foram homenageados hoje (3) na capital federal em comemoração ao Dia Mundial do Refugiado. No evento, organizado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur), eles receberam bicicletas gratuitamente para se integrarem ainda mais à sociedade.
Shah deixou o Paquistão há nove meses com um grupo de quatro homens para fugir da perseguição religiosa e dos atos de terrorismo promovidos pelo grupo extremista islâmico Talibã. Arranhando o português, ele já consegue explicar porque escolheu o país para morar: “Eu gosto de respeito e de segurança, e o Brasil é o melhor lugar para isso”. Com a bicicleta nas mãos, o farmacêutico diz que poderá chegar ao trabalho em uma grande empresa frigorífica mais rapidamente. “Me sinto um brasileiro, aqui as pessoas se preocupam comigo.”
O Brasil tem hoje quase 4,5 mil refugiados, segundo dados do Ministério da Justiça. A grande maioria veio da África (63,7%), mas também há americanos (23,12%), asiáticos (10,9%) e europeus (2,17%). “O Brasil tem tradição de receber muito bem os refugiados, por isso muitos têm optado por vir para cá. Além da legislação moderna sobre o tema, o Brasil é pacífico e tem uma cultura de respeito por religiões e etnias”, explica o representante do Acnur no Brasil, Andrés Ramirez.